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Deficiência auditiva: mitos e verdades

Data: quinta-feira, 7 de julho de 2011 | Horário: 19:00

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O que as pessoas imaginam sobre as pessoas surdas


São mudas
Não é correto dizer que alguém é surdo-mudo. As pessoassurdas apresentam condições físicas e fisiológicas necessárias para falar. Algumas não falam porque não foram ensinadas, outras porque acham que a língua de sinais não favorece a efetivação e a agilidade na comunicação, e outras, ainda, por opção.


São muito nervosas
Na utilização de gestos, a ênfase na expressão facial, o esforço para falar e a ausência do feedback auditivo (não escutam os sons que emitem) fazem com que os ouvintes imaginem que os surdos estão “nervosos”. Na realidade, estão somente se comunicando ou tentando se comunicar. Ser nervoso não é uma característica da surdez.

Não escutam nada ou escutam quando querem
Todo surdo pode escutar algum tipo de som. A maioria ouve sons de forte intensidade e graves (trovão, batida de porta). Assim como a visão, a audição também se efetiva em graus. Alguns surdos conseguem ouvir a voz e escutar a fala ao telefone. A impressão de que às vezes o surdo responde a sons e outras não, fazendo com que o ouvinte pense que “escutam quando querem”, deve-se a alguns fatores: a distância da emissão do som, a frequência da voz da pessoa que fala, o tipo de som (grave/agudo), a intensidade do som (forte/fraco) e também o nível de atenção do surdo ao som emitido.

Fazem leitura labial
A leitura labial (ler a posição dos lábios) não é uma habilidade natural do surdo. Ela precisa ser ensinada, como se ensina a leitura, a escrita, etc. Poucas pessoas surdas fazem uma boa leitura labial, especialmente porque a pessoa ouvinte, ao se comunicar com um surdo, esquece-se da deficiência, vira-se para os lados, usa bigode, e isso atrapalha a visualização da boca falante. Isso produz alguns problemas na comunicação. Uma minoria não consegue fazer nenhuma dessas leituras e só se comunica através de sinais aprendidos no decorrer de sua história de vida familiar e social, ou mesmo através da Língua Brasileira de Sinais. Assim, não é verdadeiro afirmar que a leitura labial seja uma capacidade inata.

Têm um excelente poder de atenção e concentração e não se dispersam
Atenção e concentração também não são habilidades inerentes à condição de surdez. Na realidade, os índices de atenção e concentração da pessoa surda apresentam-se no mesmo padrão encontrado em pessoas ouvintes. Os ouvintes se equivocam nessa questão ao acreditar que uma pessoa surda pode muitas vezes trabalhar em ambientes ruidosos sem se dispersar da atividade que está desenvolvendo. Não se pode, entretanto, esquecer que a experiência tem revelado que outros estímulos, não sonoros, também podem provocar a dispersão da atenção da pessoa surda, como, por exemplo, os estímulos visuais.

São infantis
linguagem da pessoa surda desenvolve-se a partir do que ela percebe através dos sentidos não comprometidos. O fato de não ouvir resultará numa maneira diferente de ver e de se relacionar com o mundo. Os elementos abstratos que compõem nossa língua e que dependem da audição para serem percebidos dificilmente serão comprometidos pelo surdo. Os elementos concretos serão facilmente assimilados. Explicar o que é cadeira para o surdo é mais fácil, por exemplo, do que explicar o que é vergonha. Ironias, piadas de ouvintes, muitas vezes não têm significado algum para o surdo. Enquanto nos comunicamos, estamos recebendo inúmeras informações através da audição. O surdo não consegue aprender tão rapidamente as informações porque:

  • Não escuta;
  • A língua de sinais não possui todos os significados da língua oral;
  • A expressão escrita do surdo geralmente segue as regras da língua de sinais e não da língua portuguesa.

O jeito infantil a que o ouvinte se refere está fundamentado, muitas vezes, pela avaliação que se faz do surdo, como se os três itens acima não existissem. A falta de elementos linguísticos, acessíveis somente ao mundo dos ouvintes, resulta em uma compreensão e consequentemente em uma expressão, que, para o ouvinte, se assemelha a uma expressão infantil. Na realidade, somente apresentam um jeito diferente de se manifestar e se comunicar.

Não escutam o alarme, em caso de incêndio
A maioria dos alarmes de incêndio apresenta níveis altíssimos de decibéis, garantindo o alerta também aos surdos. Caso isso não aconteça, provavelmente a movimentação dos funcionários, nessa situação, também os leve a tomar as ações necessárias de esquiva e de retirada. O ideal, entretanto, seria ter acoplada ao alarme sonoro a luz de alerta.

Devem ser identificadas através de uniformes com cores diferentes para evitar acidentes, como, por exemplo, ser atropeladas dentro da empresa
Não se dispõe de dados estatísticos quanto ao atropelamento de pessoas surdas em uma empresa. Quando atravessamos a rua, ficamos mais atentos aos estímulos visuais do que aos sonoros. O atropelamento de funcionários por empilhadeiras, por exemplo, tem se relacionado com a falta de treinamento dos funcionários quanto às normas legais de segurança ou ao desrespeito a essas normas. Identificar o surdo através de uniformes diferentes é uma forma de discriminação.

Ficarão presas na empresa em caso de blackout, por exemplo, no banheiro
Em caso de falta de energia elétrica, o surdo, que não é cego, certamente perceberá que algo diferente está acontecendo e procurará saber do que se trata. Se estiver dentro do banheiro não escutará avisos, mas perceberá a falta de eletricidade. De qualquer forma, é no treinamento de funcionários, quanto a como agir em situações de emergência, que se deverá ensinar os procedimentos a serem seguidos.

Elaine Aparecida da Silva é Pós-graduada a nível de Aperfeiçoamento em Reabilitação das Deficiências Auditivas pela Universidade de São Paulo. Intérprete de Libras. Especialista em Educação, com área de concentração em Psicopedagogia: Abordagem Clínica dos Problemas de Aprendizagem. Atua no atendimento clínico na área de psicopedagogia, com crianças e adolescentes TDAH, deficiência auditiva e deficiências múltiplas.