Peniscopia

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O que é peniscopia?A peniscopia, como o próprio nome diz, é a avaliação visual do pênis, que é realizada com um equipamento composto por lentes que podem aumentar até 40 vezes o tamanho normal, conhecido como peniscópio.
O objetivo desse exame é localizar lesões causadas pelo vírus HPV que não são visíveis à vista desarmada.
Mais recentemente, com o uso da camisinha, temos encontrado lesões causadas pelo HPV fora do pênis (região pubiana, escroto, região inguinal, etc.) e é muito importante a avaliação dessas áreas, por isso a peniscopia, que é um exame exclusivo do pênis, atualmente é mais corretamente denominada de genitoscopia, pois avaliamos toda a região genital.
 
Como é feito o exame?
Com o paciente em posição confortável (deitado ou em posição semiginecológica), colocamos gaze embebida com ácido acético a 5% envolvendo o pênis, que permanece por aproximadamente 10 minutos. Em seguida, realizamos a avaliação visual com o peniscópio.
As lesões encontradas são submetidas a biópsia e o material deve ser encaminhado para estudo histológico e/ou para pesquisa de DNA do HPV.
Quando é o próprio urologista que faz o exame, é possível realizar o tratamento concomitantemente, que consiste na eliminação das lesões encontradas pela cauterização (elétrica ou a laser de CO2).
Há recomendações importantes para antes do exame?
Sim, e são elas:
 tratar qualquer micose ou infecção da pele prepucial;
 cortar ou aparar os pelos pubianos e genitais;
 evitar relações sexuais no dia anterior (teremos microtraumas);
 evitar aplicações de cremes no dia do exame.
Qual diagnóstico indica tratamento e quais são os tipos de tratamento?
Em aproximadamente 20% dos casos encontramos verrugas visíveis e em 80% dos casos temos lesões microscópicas. É muito importante a eliminação dessas lesões.
A confirmação se é ou não HPV apenas teremos com o resultado dos exames de histologia (sinais indiretos da presença do HPV) e de DNA (confirma a presença de DNA do HPV).
O tratamento está indicado nos casos que apresentam lesões verrucosas visíveis e nos pacientes com lesões microverrucosas encontradas durante o exame de peniscopia.
Existem vários tipos de tratamento e cada um tem sua indicação precisa, como:
1. Tratamento cirúrgico
1.a: Laser de CO2
1.b: Eletrocautério
1.c: Crioterapia
2. Agentes antimitóticos
2.a: Podofilina
2.b: Podofilotoxina
2.c: Fluorouracil
3. Agentes cáusticos
3.a: ATA
4. Agentes imunomoduladores
4.a: Imiquimod
4.b: Inerferon
O ideal é que o exame de peniscopia seja realizado pelo próprio urologista, pois, ao localizar as lesões suspeitas, faz a biópsia e elimina as lesões encontradas simultaneamente. As lesões podem ser eliminadas com laser de CO2 ou com eletrocautério.
Rotineiramente realizo uma videogenitoscopia em que o paciente acompanha o exame através de um monitor e, após realizar as biópsias, elimino as lesões com laser de CO2, pois é mais preciso, cicatriza mais rápido e o aspecto cosmético é melhor.
Nos homens que ainda apresentam excesso de prepúcio ou fimose é fundamental a remoção do excesso de prepúcio para diminuir a chance de recidiva. É conhecida como postectomia ou circuncisão.
Podemos também utilizar tratamentos imunológicos com cremes locais à base de imiquimod.
Cabe ao urologista que está acompanhando o paciente indicar o esquema terapêutico mais adequado.
Existe uma época exata para o exame ser feito ou é considerado uma prática de rotina?
O ideal é que este exame seja indicado quando houver uma suspeita da infecção pelo HPV, ou seja:
 homem com verrugas genitais;
 parceira com infecção pelo HPV;
 parceira com câncer de colo uterino;
 como exame pré-nupcial, etc.
É possível que lesões penianas tornem-se câncer de pênis?
Sim, porém esta situação é pouco frequente e bem menos preocupante que o câncer de colo uterino da mulher.
O HPV está presente em mais de 95% dos casos de câncer de colo uterino, ao passo que no câncer peniano encontramos entre 30 e 50% de casos com o HPV.
O homem que foi submetido a remoção do excesso de prepúcio por apresentar fimose ou excesso de prepúcio com balanite de repetição oferece menor chance de recidiva e de evolução para câncer peniano.
Julio José Máximo de Carvalho é Doutor e Mestre em Medicina (Cirurgia) pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Saúde de São Paulo e possui Especialização em Residência Médica em Urologia.
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