É possível envelhecer com o virus HIV

O HIV traz junto o medo da morte. Mas, se o tratamento for feito de forma adequada, é possível ter qualidade de vida. O diagnóstico precoce ajuda a manter a infecção estável. Para muitos, contrair HIV ainda é aproximar-se mais rapidamente da morte. No entanto, nos últimos 30 anos desde a descoberta do vírus, muito se evoluiu em tratamento. Hoje, apesar de ainda não haver cura e a infecção ser considerada muito grave, é possível viver com qualidade de vida e até envelhecer com o HIV.

O primeiro passo para isso, de acordo com os médicos, é aderir à terapia antirretroviral. Enquanto o HIV ataca as células do sistema imunológico, fragilizando a defesa do organismo e abrindo as portas para doenças oportunistas, os medicamentos ajudam a controlar a multiplicação do vírus.

“Dados estatísticos mostram que um homem, depois de três anos de tratamento, mantendo CD4 (linfócitos, responsáveis pelo sistema de defesa do organismo) em bom nível, acima de 500 células, tem a mesma chance de morrer que um homem da mesma idade, morando na mesma região do mundo”, compara o infectologista Érico Arruda. Antes ainda da medicação, é importante, para a sobrevida de quem vive com HIV, o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico. Nem todos que têm HIV evoluem até chegar à aids (estágio mais complicado, quando as doenças oportunistas tomam conta).

Por isso, a descoberta precoce pode evitar mais sofrimento. “Fica mais fácil controlar a evolução da infecção”, explica o médico Anastácio Queiroz. Regularmente, pessoas que vivem com HIV devem ser acompanhadas e fazer exames. Um mede a quantidade de vírus circulando no corpo (carga viral). O outro verifica como está a imunidade do paciente naquele momento (contagem dos linfócitos CD4). De acordo com Anastácio Queiroz, quando a quantidade de CD4 está abaixo de 350, há a indicação de iniciar a medicação. Um organismo normal chega a ter mil ou mais linfócitos.

Assim, é possível controlar bem o avanço da infecção. Outro passo importante é a mudança de comportamento. É preciso se cuidar melhor, comer de forma equilibrada, dormir bem, praticar atividades físicas e fazer sexo seguro, com preservativo. “Outras doenças sexualmente transmissíveis podem potencializar a replicação do vírus HIV. Aumentando o dano imunológico que o vírus causaria”, ressalta Érico Arruda. As baladas devem ser evitadas. E o álcool também. Mas isso não impede que a pessoa que vive com HIV se divirta. “Só não pode cometer excessos”, alerta o médico.

Como o HIV deixa o sistema imunológico deficiente, é preciso estar mais atento à saúde do corpo. “Um problema de saúde aparentemente simples pode se tornar algo mais complexo”, comenta. Mas essa indicação é mais voltada para aqueles que estão com a imunidade muito baixa e, provavelmente, têm resistência a aceitar o tratamento. “Os que estão tratando, com disciplina, costumam ter uma boa resposta imunológica ao ponto de não precisarem de toda essa preocupação com os sintomas comuns. Por exemplo, sintomas de um resfriado comum, dor de garganta”, lista.

Apoio
Além de todas as recomendações para viver melhor com HIV, é preciso o apoio da família e dos amigos. “Você pode abraçar, beijar, conviver normal com quem tem HIV. Convivência não transmite o vírus”, alerta a assistente social Sílvia Tavares, gerente do Programa de Assistência Domiciliar (PAD) do Hospital São José. Segundo ela, que há 11 anos acompanha pessoas vivendo com HIV, o amor eleva a autoestima, que, consequentemente, aumenta a capacidade de defesa do organismo. “Até a medicação passa a ter mais efeito”, relata a assistente social. (Gabriela Meneses)

Serviço 
Onde fazer o tratamento?
Em Fortaleza, o Hospital São José, da rede estadual, é referência do atendimento a pessoas com HIV/aids. Além de fornecer os medicamentos necessários, a unidade tem serviço ambulatorial e de internação.

Há cinco Serviços Ambulatoriais Especializados em HIV e Aids (SAEs), da rede municipal:

SAE Cemja (rua Guilherme Rocha, 510, Praça José de Alencar – Centro);
SAE no Hospital Distrital Nossa Senhora da Conceição (no Conjunto Ceará);

SAE no Gonzaguinha do José Walter;
SAE no Gonzaguinha de Messejana; e

SAE no Nami/Unifor.

Até o fim do ano, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), mais um SAE deve ser inaugurado no Centro de Saúde da Família Anastácio Magalhães (Rodolfo Teófilo).

Onde fazer exame rápido?
O exame rápido pode ser feito no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) Carlos Ribeiro (Rua Jacinto de Matos, 944 - Jacarecanga). Em apenas 30 minutos, é possível receber o resultado do exame. A unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas.

Matéria de capa
Viver bem apesar da aids
Existe também a possibilidade de viver mais tempo. “Pessoas em tratamento por longos períodos com disciplina têm tido sobrevida e qualidade de vida que começam a se aproximar da população não infectada pelo vírus HIV”, revela.

A prevenção ainda é por meio do uso do preservativo nas relações sexuais. E do não compartilhamento de agulhas. Estudos com vacinas, conforme os médicos, ainda não mostraram resultados promissores. Mas a evolução no tratamento tende para a cura da doença, segundo Érico Arruda. Um paciente norte-americano parece ter sido o primeiro caso de cura da aids. Como conta o médico, após descobrir que, além da doença, estava com leucemia, o homem foi submetido a um transplante de medula óssea.

“Os cientistas procuraram uma medula óssea de um doador compatível, obviamente, mas que esse doador tivesse a sua medula resistente ao vírus HIV. Há poucas no mundo”, explica. Depois do transplante, as células de defesa do sangue do paciente passaram a repelir o HIV. Há quase cinco anos, explica, não há presença do vírus. “É um caso que está sendo tratado como uma provável cura”. Mas, lembra ele, é preciso buscar um caminho que não seja tão drástico.

Um deles é o uso de substâncias para a expulsão do vírus de reservatórios, como o cérebro.

Fonte: O Povo
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