Luiz Fernando, porque você saiu da prefeitura e deixou de ser motorista dos universitários?

Anônimo disse... "Explica isso aí Luiz Fernando, por que você saiu da prefeitura e deixou de ser motorista dos universitários?" Luiz Fernando Lopes disse... Essa história é longa, mas vou falar dela pela última vez e de uma vez por todas. Primeiro, você deveria ter mencionado que além de motorista, também fui o presidente da associação dos universitários. Foi como presidente, que levei uma proposta ao Prefeito referente à aquisição de ônibus para os universitários. Com recursos próprios e produção de eventos: barracas na rua durante as novenas, show junino, eventos culturais e outros, todos apoiados pela Prefeitura, mais a influência do Prefeito em conseguir doações de outros políticos e empresários, os universitários teriam como adquirir ônibus para a associação. Na proposta, o aluno pagaria uma taxa mensal de R$10 reais para associação. A previsão para termos o valor da aquisição do ônibus era junho de 2012. Ter universitários adquirindo um ônibus e sendo com ajuda do Prefeito seria ótimo para a imagem de um gestor que pretende se reeleger. Mas o Prefeito pensou somente nele. Continue lendo o artigo.

No dia que apresentei o projeto para o Prefeito, o edil Nonato Martins estava na sala e disse que o projeto era muito bom e vantajoso para o município. Mas a contraproposta do Prefeito foi que eu deveria informar aos alunos que eles teriam de pagar um taxa mensal de R$60 reais ao Prefeito e esta seria para ajudar nos gastos com combustível. O Prefeito parecia não quer os alunos independentes dele, mas dependente para fazer a politicagem dele.

Na época éramos: 200 alunos X R$60 reais = R$12 mil reais, valor que o Prefeito queria receber, pois segundo ele, não era sua obrigação disponibilizar ônibus para os alunos de Sobral e Guaraciaba.

Relutei muito para não levar essa proposta do prefeito adiante, mostrando o quanto ela desagradava às famílias ipuenses e seria ruim para sua imagem, pois ele estava dificultando o desenvolvimento dos alunos, que, com muito esforço viajávamos todos os dias em busca de um sonho. O edil Nonato Martins ajudou salientando que a cobrança da taxa para o combustível cairia negativamente na área da Educação. Até que o Prefeito esqueceu-se da taxa do combustível.

Problemas Acontecidos em Sobral

Eu estava como motorista no dia que aconteceu um problema com um dos ônibus em Sobral. O mesmo já apresentava problemas ha dias. O problema era um vazamento de ar que acabou forçando e deteriorando o disco de embreagem do veículo, o que fazia ele perder potência.

Recordo que era um dia de quarta-feira e havia um jogo entre Flamengo e Ceará (Copa do Brasil). Eram dois ônibus que no total transportavam quase 100 universitários para Sobral, um micro-ônibus, dirigido por mim e um ônibus maior dirigido por outro motorista. Os dois veículos sempre viajavam e chegavam juntos em Ipu, mas na noite anterior ao problema, cheguei em Ipu na hora certa, mas e nenhum momento, durante o trajeto, o outro ônibus deu sinal que vinha perto. Liguei para o motorista, que disse que estava com problemas e chegaria atrasado. Deixei os universitários em suas casas e fui esperar a chegada do outro que só apareceu 40min depois. Na quarta-feira, início da tarde, os dois veículos foram para oficina. O micro-ônibus não ficou pronto para rodar e no outro haviam sido feitos apenas ajustes. O chefe de garagem pediu que eu fosse com todos os universitários naquele único ônibus, pois o outro motorista estava cansado e pediu para descansar. Foram 88 universitários em um veículo que já apresentava problemas.

A viagem de ida foi sem problemas, mas na volta, logo na saída, o ônibus começou apresentar problemas. Mesmo com a insistência de alguns universitários em prosseguir a viajem de volta, achei melhor parar o veículo ao lado da linha férrea, nas proximidades do Arco de Nossa Senhora de Fátima, em Sobral, pois eu tinha certeza que ele não aguentava a viagem de volta e acabaríamos ao relento da estrada escura e perigosa durante a madrugada, correndo o risco de ser em uma área sem sinal telefônico, impossibilitando pedir ajuda. Ligue para o secretário de transporte, chefe de garagem e mecânicos. Os alunos ficaram na praça e fui para uma lanchonete, do outro lado linha, onde havia uma TV e passava o jogo do Fla x Ceará.

Quando olhei para o ônibus, avistei as luzes acesas, os universitários lá dentro, e me aproximei para saber o que estava acontecendo. Ao entrar, percebi que havia um cidadão fazendo uma gravação/reportagem no interior do ônibus, isso aconteceu numa quarta-feira, 06 de maio de 2009. É claro que além de um movimento legítimo de universitários, também estava acontecendo um ato de pessoas ainda ressentidas com a derrota eleitoral de poucos meses, isso ficou claro, pois falavam abertamente nos nomes dos políticos.

Apaguei a luz, e na qualidade de funcionário público contratado e responsável por um veículo público, mandei que o cidadão, autor da gravação/reportagem, descesse do ônibus, pois eu sabia que aquilo não acabaria bem. Mas atendendo aos pedidos dos universitários e como tudo já havia sido gravado, sai do ônibus e deixei que eles continuassem com o protesto. O socorro chegou quase as duas da madrugada. Chegamos no Ipu com o dia amanhecendo.

Logo pela manhã fiquei sabendo que Sávio Pontes havia retirado os ônibus que transportavam os alunos para Sobral e Guaraciaba. Vários alunos acabaram perdendo provas e repetindo o semestre.

Os alunos resolveram protestar e apoie o movimento dos alunos, disponibilizando a minha casa, defronte a Praça da Iracema, para os alunos usar o banheiro, beber água e até guardar as faixas que usavam nos protestos. Eu era contrário ao ato do Prefeito, mas aqueles que estavam na dianteira do movimento universitário, entendiam muito bem os meus motivos de não participar do movimento e nem universitário eu era na época, o presidente da associação dos universitários era um universitário.

Saída da Prefeitura

Sobre a minha saída do quadro de contratas da Prefeitura. Todos sabem que eu ajudei o Prefeito. Participei de todas as carreatas transportando pessoas no caminhão. Quando o Prefeito ganhou a eleição, ofereceu-me um emprego na prefeitura, mas eu disse que aceitaria se fosse para ser motorista de um dos ônibus que transportavam os universitários para Sobral, pois eu estava fazendo cursos em Sobral. Posteriormente, passei em dois vestibulares, administração e fisioterapia.

Quando fui deixar o trabalho da prefeita, eu cursava fisioterapia e estava como presidente da associação dos universitários. Dois meses antes, comuniquei ao Prefeito que sairia, pois eu estava vindo estudar fora do Brasil. Na época aconteceu o concurso da Prefeitura e nem participei, pois já estava com a data certa de minha viagem. Então, a minha saída foi exclusivamente por eu ter vindo estudar fora do Ipu, Brasil. Era isso que você queria saber? Espero não precisar mais falar nisso.
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