No Brasil não existe "excelência médica". Os números comprovam

Dizer que o Brasil possui uma "excelência médica" é altamente fora do senso comum e nem é preciso comparar essa nossa tal "excelência" com os níveis de outros países. Desde 2005, um exame do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), com adesão voluntária - o que nos leva a supor que somente os alunos mais preparados foram que prestaram os exames - é uma prova inconteste da péssima qualidade da formação médica no Brasil. Nesses 7 anos, 46,7% dos 4.821 alunos que participaram do exame foram reprovados. Saiba mais detalhes.

Em 2012, o Cremesp tornou o exame obrigatório para os formados no estado de São Paulo, e mesmo não restringindo o exercício profissional em caso de reprovação, os alunos da Unicamp pretendem boicotar o exame. Qual seria o medo ou os motivos deles? Dessa vez os alunos teoricamente menos preparados terão que realizar o exame, desse modo à porcentagem de erros teoricamente vai ser maior. Será que não querem mostrar a clara deficiência do ensino médico brasileiro?

Cabe ressaltar que nos exames do Cremesp são aplicadas questões básicas, que avaliam a capacidade de diagnóstico e tratamento de doenças mais comuns que afetam os brasileiros. Não abrange questões complexas iguais as dos exames de seleção para a Residência, que têm caráter eliminatório.

A cada ano as faculdades brasileiras despejam no mercado de trabalho um contingente de médicos mal formados, sem especialização, e que permanece exercendo a profissão por cerca de 40 anos. Alguns desses não sabem nem coletar a história clínica durante uma consulta.

Não existem duas medicinas. Exames para o ingresso no trabalho para os médicos formados no Brasil e no estrangeiro deveriam existir e ser igual para todos. Atualmente é exigido a obrigatoriedade do exame para os formados fora do Brasil e assim temos a certeza de que esses médicos que são aprovados na Revalidação, estão preparados para o trabalho, mas não temos as mesmas garantias para os formados no Brasil.

O que os Conselhos Regionais de Medicina (CRM's) estão fazendo em relação aos formados no exterior é preconceito, pois divulgam resultados tendenciosos. Nunca um dos CRM's visitou as faculdades estrangeiras, mas afirmam que uma sala de aula tem mais de 100 alunos e que faltam pacientes para as práticas hospitalares. É Mentira e o generalismo é leviano, pois nas melhores universidades da Bolívia não se permite mais que 50 alunos por classe, não existem problemas com as práticas hospitalares, nem falta de peças para os estudos de anatomia, coisa que no Brasil é um problema.

Mas, o maior preconceito e corporativismo dos CRM's é quando se divulgam apenas os resultados do Revalida, que acontece sempre no final do ano, e não divulgam os resultados dos exames de Revalidação das universidades federias que sempre acontece antes do Revalida. A maioria dos alunos se inscrevem na Revalidação das universidades federias e no Revalida, ao mesmo tempo. Aqueles que estão melhores preparados são aprovados nas universidades federais e, mesmo tendo feito a inscrição para o Revalida, já não comparecem ao exame. Os conselhos divulgam o número total de inscritos no Revalida, mas nunca o número total de participantes, que é sempre bem inferior.

Um exemplo é a comparação dos resultados da Revalidação feita na UFMT com o Revalida, ambos realizados em 2011. A UFMT recebeu 637 inscritos e 294 médicos foram aprovados. Os CRM's não divulgam isso e só mencionam os resultados do Revalida 2011, que teve 677 inscritos e apenas 65 aprovados. Se Juntarmos os 294 aprovados na UFMT com o total de aprovados nos exames da Revalidação das outras universidades federais, estima-se que 410 foram aprovados em todo o país. Portanto, teoricamente apenas 267 inscritos teriam participado das provas do Revalida 2011, dos quais apenas 67 foram aprovados. Isso altera completamente o perfil dos candidatos e os resultados.

O Brasil vem com resultados ridículos nos ensinos fundamental, médio e acadêmico. Segundo o ranking da UNESCO, braço direito da ONU sobre Sistema de Educação Mundial, o Sistema Educacional da Argentina ocupa o 38º lugar, Bolívia 78º, Brasil 88º estagnado desde 2009, 40 posições atrás dos nossos hermanos. A Argentina é um país que possui Cinco (05) Prêmios Nobel, Dois da Paz, Dois (02) de Medicina e Um (01) de Química, sendo estes Três (03) últimos conquistados pela Universidade de Buenos Aires (UBA), a maior instituição federal do país onde "não existe vestibular para o ingressar a faculdade". No Brasil não temos nem um Prêmio Nobel.

Enquanto os CRM's e CFM continuarem a divulgar resultados tendenciosos e se apegando ao corporativismo médico, a saúde do Brasil não irá progredir e estaremos distantes de uma "excelência médica".

ATENÇÃO: O Netcina é um espaço informativo, de divulgação e educação sobre temas relacionados com saúde, nutrição e bem-estar, não devendo ser utilizado como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde.

COMENTÁRIOS: Para que o seu comentário seja aceito, não use de xingamentos e calunias.

PARTICIPE DO NETCINA: Fale sobre qual assunto você gostaria que fosse publicado.
Compartilhar no G+