Dilma culpa seca e crise internacional e diz que entende irritação de brasileiros

Em pronunciamento em em cadeia nacional de rádio e televisão na noite deste domingo (8), a presidenta Dilma Rousseff defendeu os ajustes econômicos anunciados pelo seu novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Segundo ela, o governo absorveu, até o ano passado, todos os efeitos negativos da crise econômica internacional e das secas. Para isso, lançou mão do caixa da União para proteger o crescimento, o emprego e a renda, mas que, com a extensão da crise internacional das economias, chegou a hora de dividir os "esforços" e que só haverá melhora do quadro no fim do segundo semestre do ano.

Em momento algum do discurso Dilma indica que sua gestão tenha cometido qualquer tipo de erro na condução da economia. Ao contrário, declarou que a política econômica praticada até agora foi a correta para a circunstância que o País viveu até o fim do ano passado e culpou a seca nas regiões Nordeste e Sudeste e a piora da conjuntura internacional pelo aumento dos custos para os consumidores e as mudanças de rumo em sua gestão econômica.

Diante das argumentações e distribuição de responsabilidades, a presidente disse para o espectador que ele tem "todo direito de se irritar e de se preocupar". E pede "paciência e compreensão", argumentando que esta situação é "passageira".

Ela afirmou que o governo está usando "armas diferentes e mais duras" das que foram utilizadas na primeira fazer da crise mundial, em 2008, e ressaltou que todos terão de fazer "sacrifícios temporários", mas que serão suportáveis. E reafirmou que que "a carga negativa", até agora absorvida pelo governo, será dividida "em todos os setores da sociedade.

— Este processo (de ajuste) vai durar o tempo que for necessário para reequilibrar a nossa economia. Decidimos corajosamente mudar de método e buscar soluções mais adequadas ao atual momento. Mesmo que isso signifique alguns sacrifícios temporários para todos e críticas injustas e desmesuradas ao governo.

A inflação também foi debitada na conta da falta de chuva.

— Entre muitos efeitos graves, esta seca tem trazido aumentos temporários no custo da energia e de alguns alimentos.

Entre os ajustes já anunciados pelo governo estão o corte de despesas e de investimentos, redução de parte de programas sociais, mudanças nas regras para acesso a benefícios trabalhistas e correção na tabela do imposto de renda. Para executar parte das medidas, o Executivo precisa de aprovação pelo Congresso Nacional, com o qual está passa por uma crise de relacionamento, que se agravou após a divulgação da lista com nomes de políticos que serão investigados na Operação Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal. Nela constam o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros.

Otimismo

Retomando a positividade exibida durante sua campanha eleitoral no ano passado, Dilma vê pessimismo por parte de integrantes da sociedade.

— O Brasil passa por um momento diferente do que vivemos nos últimos anos. Mas nem de longe está vivendo uma crise nas dimensões que dizem alguns. Passamos por problemas conjunturais, mas nossos fundamentos continuam sólidos (...) nosso povo está protegido naquilo que é mais importante: sua capacidade de produzir, ganhar sua renda e de proteger sua família.

A explicação para falar sobre ajuste fiscal durante o pronunciamento para todas as TVs e rádios abertos no Dia Internacional da Mulher foi justificada pela presidente por sua necessidade de "compartilhar a visão dos fatos" porque "os noticiários", segundo ela, "muitas vezes até nos confundem mais do que nos esclarecem"

— São medidas para sanear as nossas contas e, assim, dar continuidade ao processo de crescimento com distribuição de renda, de modo mais seguro, mais rápido e mais sustentável.Mais importante, no entanto, do que a duração dessas medidas será a longa duração dos seus resultados e dos seus benefícios. Que devem ser perenes no combate à inflação e na garantia do emprego

Ela garantiu ainda que, apesar das medidas, o governo diz que vai manter e melhorar os programas de infraestrutura.

— Nossas rodovias e ferrovias, nossos portos e aeroportos continuarão sendo melhorados e ampliados. Para isso, vamos fazer, ainda este ano, novas concessões e firmar novas parcerias com o setor privado.

Lava Jato

O escândalo das suspeitas de corrupção na Petrobrás, que vem monopolizando o noticiário, foi mencionado rapidamente e apenas no fim de sua fala. Ela frisou que a investigação das denúncias de corrupção na estatal é "ampla, livre e rigorosa". Com isso, buscou responder as acusações que vem sofrendo não só por parte de adversários como de parlamentares da base aliada de que seu governo tenta interferir nas apurações da Operação Lava Jato.

— Com coragem e até sofrimento, o Brasil tem aprendido a praticar a justiça social em favor dos mais pobres, como também aplicar duramente a mão da justiça contra os corruptos. É isso, por exemplo, que vem acontecendo na apuração ampla, livre e rigorosa nos episódios lamentáveis contra a Petrobrás.

O pronunciamento foi gravado na manhã da última quinta-feira (5), um dia antes da publicação da lista de políticos que serão investigados por suspeita de corrupção relacionada à petroleira.

Lei do feminicídio

Dilma anunciou ainda que sancionará nesta segunda-feira (9), em cerimônia especial no Palácio do Planalto, a lei que tipifica o feminicídio como crime no Brasil.

Com a lei, caso a morte seja motivada por discriminação gênero ou violência doméstico, o crime de homicídio passa a ser hediondo (sem direito à liberdade mediante pagamento de fiança) e a pena poderá ser aumentada, variando entre 12 e 30 anos.

— Essa medida faz parte da política de tolerância zero em relação à violência contra a mulher brasileira. O projeto de lei foi aprovado na terça-feira (3) em votação na Câmara dos Deputados e entrará em vigor assim que a presidente o sancionar.

Fonte: R7

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