A Justiça Brasileira de Luto: O vídeo e matéria mais chocantes dos últimos tempos

Detesto a palavra "chocante". Os sábios sempre disseram que ela é tola, porque não há nada de novo sob o sol, tudo se repete, e nada portanto deve chocar ou provocar perplexidade.

Isto posto, é um documento histórico o vídeo que está circulando na internet em que Nestor Cerveró, ex-Petrobras, se dirige ao juiz Sérgio Moro.

Por ser um tremendo dum clichê, não gosto de citar Kakfa e seu clássico Processo, em que um personagem é posto num tribunal sem ter a menor noção do que fez. Mas é kafkiana a situação de Cerveró.

Ele, educada, mas incisivamente, pergunta a Moro como pode estar preso há cinco meses sem nenhuma prova contra ele. Cerveró lembra, mais de uma vez, que a base das acusações contra ele são uma reportagem, e logo de quem – da revista Veja.

Apenas para lembrar: a Veja pratica o que seu chefe de redação chamou de "jornalismo de exceção". Isso quer dizer o seguinte: a revista não tem o menor compromisso com os fatos, com a "verdade", com "provas".

É contra o PT? Publique-se. Ah, mas a Justiça vai punir acusações não comprovadas, você, um cara de bem, vai dizer. Lamento, mas respondo com uma gargalhada (kkkk...). Faz parte do sinistro ambiente jornalístico brasileiro uma absurda impunidade, na Justiça, para os crimes da imprensa.

Cerveró diz ter pensado que a Polícia Federal trabalhasse com evidências mais profundas que "reportagem de revista". Presumo que seja uma ilusão dele e de muitos brasileiros bem intencionados.

Com uma voz notavelmente fraca para quem projeta a imagem de super-herói, Moro admite a importância da revista Veja na prisão de Cerveró. Acrescenta, obliquamente, que "há mais que a reportagem da Veja" para justificar, aspas, a prisão de Cerveró. Mas não consegue dizer nada que faça sentido quando Cerveró lhe pergunta: "O quê?"

Cerveró conta que foi preso ao voltar da Europa, com a família, no final do ano. Disseram contra ele que não avisara que tinha passaporte espanhol. "E quem avisa? Quem sai dizendo: Tenho passaporte espanhol!?"

É 100% Kafka. Cerveró conta também que foram bloqueados espalhafatosamente "dezenas de milhões" em sua conta, mas no final havia nela apenas 20 ou 30 mil reais. A casa em que Cerveró estava morando também pesou contra ele. A razão é que Cerveró não é dono e nem estava pagando aluguel.

O vídeo não mostra a parte em que Cerveró dá sua explicação. Mas ali está Moro dizendo a seguinte frase: "O senhor não acha estranho (não pagar aluguel)?"

Temos então o seguinte: Moro, sem nenhuma prova, e lá se vão "cinco meses", acha "estranho". E isso parece ser o "suficiente" para confinar alguém na prisão por "cinco meses".

Sem argumentos para enfrentar as perguntas e já constrangido, Moro lembra, a certa altura, que ele não está sendo interrogado e que Cerveró não poderia fazer isso, pois quem está sendo interrogado é ele, Cerveró. Ai ele disse a Moro: "o senhor não me disse nada!"

Alguém precisa deter Moro.

O que ele está promovendo, sob os aplausos criminosos e interesseiros da mídia, é um atentado contra o Estado de Direito. Você, não estranha (o adjetivo usado por Moro vale para ele) a concepção de justiça do juiz? É culpado até que prove o contrário.

E é suspeito com base na, Deus do céu, a revista Veja.

Onde está o STF para frear os abusos de Moro? Onde está o ministro da Justiça?

Quem indenizará Cerveró pelos "cinco meses" de cadeia e assassinato de caráter caso – uma possibilidade real – fique claro que as acusações, como milhares de outras denúncias da revista da Veja, são falsas?

Minha sugestão é o que dinheiro indenizatório saia do bolso de Moro, e ele que cobre a revista Veja.



Com informações de DCM

GOSTOU? CURTA NOSSA PÁGINA E FAÇA UM COMENTÁRIO!
Compartilhar no G+