Durante a CPI, Cerveró diz que sua prisão é “absurda”

O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró leu nesta segunda-feira (11), um manifesto para membros da CPI da Petrobras em que reclama do fato de estar preso e disse que isso o obriga a permanecer calado perante interrogatório da CPI em Curitiba (PR).

"Eu estava de férias na Inglaterra e fui preso e execrado, porque voltei ao Brasil para enfrentar as acusações, confiando na Justiça", afirmou Cerveró. Ele disse que poderia ter ficado na Espanha. "Eu tenho passaporte espanhol. Se eu não tivesse confiança na justiça e na realidade dos fatos, eu poderia muito bem ter permanecido na Espanha. Mas eu voltei na certeza de que a verdade vai prevalecer", contou.

Cerveró lembrou que foi à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados no ano passado para esclarecer a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. "Nunca me recusei a comparecer. Sempre nos colocamos à disposição da Justiça federal, do Congresso e dos órgãos envolvidos no assunto”, disse Cerveró.

“Agora estou preso aguardando posição do STF sobre o absurdo desse encarceramento. Não perdi meus direitos, nem mesmo o de ser assistido por advogado. Então, por orientação do meu advogado, deixo momentaneamente de me pronunciar. Não há motivo para eu estar em prisão”, disse.

Nestor Cerveró disse que vai se calar, por orientação de seus advogados, até que “seja devolvido” seu direito de permanecer em liberdade. Ele está sendo ouvido no auditório do edifício-sede da Justiça Federal em Curitiba.

Cerveró está preso, acusado de envolvimento no esquema de desvio de dinheiro da petrolífera. Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, Cerveró é o operador do PMDB na diretoria da Petrobras - o que foi afirmado pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa.

Funcionário da Petrobras desde 1975, Cerveró era diretor da área Internacional da companhia em 2006, quando foi comprada a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, negócio que teria causado um prejuízo de mais de R$ 700 milhões à empresa – segundo o Tribunal de Contas da União (TCU).

De acordo com o ex-diretor Paulo Roberto Costa e com o doleiro Alberto Youssef, em delações premiadas, Cerveró atuava na diretoria como representante do PMDB. Ele foi denunciado pelo Ministério Público junto com o empresário Fernando Soares, apontado como operador do PMDB. Os dois foram presos, acusados de receber 30 milhões de dólares em propinas entre 2006 e 2007.

Na semana passada, Cerveró emparedou o juiz Sérgio Moro questionando por que respondia em regime fechado e criticou o fato de estar preso com base em uma reportagem da revista Veja.



Fonte: Agência Câmara

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