Esquentar comida no micro-ondas em recipientes de plástico pode provocar diabetes

Poderia uma comida esquentada no micro-ondas prejudicar sua saúde com infertilidade, diabetes, obesidade e até câncer?

Essas perguntas parecem absurdas e alarmistas e, na verdade, alguns cientistas dizem que realmente é, mas um grupo de cientistas em Bruxelas, na Bélgica, diz que os riscos são reais e levantam questões preocupantes de um número crescente de pessoas que são dependentes das substâncias químicas presentes nas embalagens de produtos alimentícios, cosméticos, vestuário, pasta de dente e enlatados.

Estas substâncias são chamadas de “desreguladores endócrinos”, capazes de interferir no modo como nossas glândulas funcionam e produzem hormônios que regulam praticamente tudo em nossos corpos, incluindo reproduzir, crescer, dormir, além do desenvolvimento mental e a ativação do metabolismo para queimarmos energia.

Os hormônios são mensageiros químicos que viajam através da corrente sanguínea para encontrar a célula alvo em órgãos específicos. Ao encontrar, os receptores recebem a mensagem e desencadeiam uma resposta biológica.

As substâncias encontradas em algumas embalagens, alimentos e cosméticos, interrompem este sistema, enganando órgãos a fazer a coisa errada, na hora errada. Quando elas atingem esses receptores, bloqueando ou imitando os hormônios, várias respostas são desencadeadas.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que mais de 800 substâncias químicas estão sendo usadas em grandes quantidades em milhares de indústrias, oferecendo riscos não só a saúde, mas também ao meio ambiente e a cadeia alimentar.

Um relatório divulgado com 296 páginas, o mais completo até hoje, identifica várias associações negativas pela exposição a estas substâncias “incluindo câncer de mama e de próstata, infertilidade, diabetes, puberdade precoce, doenças autoimunes, asma, problemas cardíacos, AVC (Acidente Vascular Cerebral), transtornos de déficit de atenção e aprendizagem, Mal de Parkinson e Alzheimer”.

O relatório ainda diz que muitas substâncias foram colocadas no mercado sem a realização de testes sobre seu papel sobre a desregulação hormonal dentro do corpo e aconselha que estes testes sejam realizados urgentemente.

Um novo estudo mostrou que o Bisfenol-A e os Ftalatos (agentes plastificantes) podem provocar o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e obesidade em crianças expostas.

A Endocrine Society afirmou que o Bisfenol-A é um dos produtos químicos mais preocupantes e é encontrado em uma infinidade de produtos, incluindo garrafas reutilizáveis de refrigerantes e recipientes comuns para armazenar comida.

Em 2011, a União Europeia proibiu o uso de Bisfenol-A na produção de mamadeiras após estudos mostrarem efeitos nocivos sobre o fígado, rins e glândulas mamárias.

Em outro estudo de 2004, 93% das crianças testadas – em um total de 2.500 – apresentaram o Bisfenol-A em sua urina.

O mais adequado seria acondicionar ou esquentar alimentos em embalagens de vidro, já que muitos plásticos contêm o Bisfenol-A e, ao serem aquecidos, liberam a substância mais facilmente. Também não é recomendado tomar o famoso “cafezinho” nos copos de plástico, pois o risco também existe.

Muitas agências de controle alimentar, como a Food Standards Agency, no Reino Unido, rebate as acusações dizendo em nota que “não há provas conclusivas de uma ligação entre os efeitos nocivos sobre a saúde reprodutiva humana e a exposição a esses produtos químicos”.

Mas, a Endocrine Society, que representa 17.000 endocrinologistas em todo o mundo, acredita que não há nenhum controle rígido sobre os níveis máximos toleráveis do Bisfenol-A e que controles rigorosos deveriam ser aplicados imediatamente.

A associação ainda ressalta que os Ftalados (um grupo de produtos químicos usados para fazer plásticos mais flexíveis, encontrados em embalagens de alimentos, mangueiras de jardim e diversos outros objetos) são acusados de deixar características “femininas” em meninos a partir do útero e induzir problemas de comportamento em crianças pequenas.

Seu uso é proibido na União Europeia desde 2005, mas no resto do mundo os Ftalatos ainda são usados em muitos produtos.

“Quase todas as pessoas da Terra têm sido expostas”, disse a Endocrine Society em um comunicado na semana passada.

Fonte: Uol

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