Oposição Republicana brasileira quer copiar o EUA, mas eles não possuem um Abraham Lincoln

Embora copie, cada vez mais, o discurso do Partido Republicano norte-americano, a oposição brasileira não possui um Abraham Lincoln em sua árvore genealógica e jamais poderá reivindicar uma luta comparável a qualquer coisa que lembre a abolição da escravatura.

Com frágeis compromissos com a democracia, guarda um armário recheado de esqueletos golpistas, que de vez em quando aparecem sob a luz do dia. Quando fala em reforma política, pretende questionar a soberania popular, aprofundar a força do poder econômico, e não ampliar as prerrogativas do cidadão comum.

Se promete combater a impunidade e a corrupção, o compromisso é perseguir adversários, sempre seletivamente, poupando e reforçando amigos e aliados. A liberdade de expressão é para fazer aquilo que nós podemos ler todos os dias nos jornais e assistir na TV.

Imagine, só para exercitar os neurônios, em qual cemitério estaria enterrado qualquer partido político brasileiro — e qualquer outro partido do mundo — se tivesse sido submetido, durante um ano, ao massacre midiático que o Partido dos Trabalhadores enfrenta desde a década inaugurada pelas denúncias da AP 470.

E é assim que chegamos à situação brasileira atual. Não é para fazer escândalo.

Num fenômeno que tem causas internas reais, mas nem de longe pode ser desligado de uma ofensiva permanente que tem como meta a destruição do Partido dos Trabalhadores vivemos o momento dos partidos-abutre, dos políticos-abutre.

São uma versão política de criaturas muito comuns no mercado financeiro, onde adquirem papéis de empresas à beira da morte, pagando um nada por ações que podem se transformar num tesouro. A Argentina é ameaçada hoje por um fundo assim.

As Organizações Globo se encontravam na mesma situação na década passada. Seu universo é especulação, seu alimento é carniça, seu hálito é de morte.

Texto: Paulo Moreira Leite

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