'É um caso raro', diz médico legista sobre coração preservado de padre

O processo de beatificação e canonização do monsenhor Ângelo Angioni, que atuou por quase 60 anos em José Bonifácio (SP), chamou atenção dos fiéis pelo fato do coração do religioso estar preservado, sete anos depois de sua morte. 

A constatação foi feita por peritos convocados pelos postuladores de Roma.

O professor de medicina legal Jorge Paulete Vanrell, de São José do Rio Preto (SP), diz que nunca viu uma situação como esta. "É um caso raro porque normalmente o coração se destrói. Dependendo da região climática, de um a três meses ele desaparece, como o resto dos órgãos.

Há um descontrole entre a destruição do corpo todo, membros inferior e superiores, e o coração, isoladamente, está intacto. Os outros órgãos estão destruídos, menos o coração", afirma o professor.

Vanrell é nascido no Uruguai, mas vive em Rio Preto há mais de 40 anos. Médico legista, ele trabalha com exumações há mais de 20 anos e atuou em três países e é autor de 28 livros científicos sobre os processos de decomposição de corpos. “Há situações em que o coração pode se manter intacto, quando o cadáver não se destrói e se conserva, como no caso da mumificação. Aí terá o coração intacto, mas também tem o resto do corpo todo preservado.

O coração, como músculo, deveria desaparecer, a menos que tenha acontecido algo específico, mas agora tem de ter uma pesquisa, retirar um fragmento para conferir se é coração mesmo, havendo hipótese de alguma substância medicamentosa”, diz.


A igreja São João Batista, de José Bonifácio, recebeu no domingo (7) fiéis de toda a região noroeste paulista para o início oficial dos trabalhos diocesanos para o processo de beatificação e canonização do Monsenhor Ângelo Angioni. Ele morreu há sete anos e, segundo a igreja católica, ao exumar o corpo nesta semana, postuladores de Roma - responsáveis por recolher informações para beatificações - perceberam que o coração estava intacto e não se deteriorou com o tempo.

O processo de decomposição do corpo humano começa de dentro para fora e em até dois meses, o coração se desfaz. Em dois anos, a maioria dos corpos enterrados está totalmente decomposta, restando apenas ossos, cabelos, dentes e unhas.

Para que Ângelo Angioni seja declarado beato é preciso que a igreja reconheça um milagre pela intercessão do monsenhor e depois, para ser considerado santo, mais um milagre precisa ser comprovado pelos peritos do Vaticano. Um processo longo que pode durar décadas, mas depende dos fiéis que vão poder ajudar contando histórias e apresentando cartas e documentos que falem sobre os possíveis milagres. O religioso

Ângelo Angioni nasceu na Itália em 1915. Foi ordenado padre aos 23 anos. Chegou ao Brasil em 1951 e foi direto para José Bonifácio onde atuou por quase 60 anos. Morreu em 2008 e foi enterrado na Igreja Matriz. O túmulo do monsenhor - título de honra conferido pelo Papa a padres católicos por serviços prestados à Igreja Católica - recebe centenas de fiéis todos os anos.

Fonte: G1

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