Achacador: Cunha ameaça o governo se não for blindado na Lava Jato; "Te vira Cunha"

"Prefiro ser acusado por ele de mal-educado do que ser acusado como ele de achaque", disse o ex-ministro da Educação Cid Gomes apontando para o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB).

Naquela ocasião, em março desse ano, Cid foi chamado à Câmara para explicar declaração de que haveria "uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior [o governo], melhor para eles".

Parece que Cid Gomes estava coberto de razão

Cada vez mais está se aproximando o momento do presidente da Câmara Eduardo Cunha ser alvo da operação Lava Jato. No governo do PT não existe blindagem quanto aos corruptos, uma prática comum em governos anteriores, principalmente, no governo do PSDB.

Sabe que a sua situação não é nada boa, Eduardo Cunha já anda dizendo que irá retaliar governo com CPIs, após delator da Operação Lava Jato mudar versão e incriminado o parlamentar.

Eduardo Cunha tem imposto derrotas ao Planalto e será dele o comando da Câmara dos Deputados em um eventual processo de impeachment contra Dilma Rousseff (PT). Por isso, Cunha ameaça retaliações.

Cunha espera ser denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que foi indicado e poderá ser reconduzido ao cargo de ministro do STF, por isso as ameaças de retaliações.

Cunha avisou ao presidente do seu partido, Michel Temer (PMDB), que também é vice-presidente da República, que irá instalar CPIs prejudiciais ao governo do PT, isso logo na volta do recesso parlamentar. Seria a do BNDES e a dos Fundos de Pensão.

O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, foi avisado por Temer e foi até Cunha para rechaçar qualquer tipo de interferência do governo do PT na Lava Jato. Ou seja: "Te vira Cunha".

Para tentar pressionar o governo, Cunha pode convocação os ministro Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social) na CPI da Petrobras. Ele foram citados na delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC. Mercadante em 2010 teria recebido dinheiro para um caixa dois. Edinho teria pedido contribuição para a campanha de 2014 de Dilma em troca de obras na Petrobras. Eles negam as irregularidades.

Cunha também tem em suas mãos a apreciação de contas presidenciais de anos anteriores para abrir caminho para a análise das contas de 2014 de Dilma. Essa seria outra forma de pressionar o governo.

Entenda o envolvimento de Eduardo Cunha na Lava Jato

O doleiro Alberto Youssef declarou à Justiça Federal que Cunha foi o "destinatário final" da propina paga pelo aluguel de navios-sonda para a Petrobras em 2006.

O assunto é alvo de uma ação penal a que respondem Youssef, o operador Fernando Baiano, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e o empresário Júlio Camargo, que teria intermediado o contrato.

O doleiro disse que Camargo citou "exatamente" o nome de Cunha a ele, em conversas sobre o pagamento da propina, em 2011.

Em depoimento prestado em maio, Camargo negou que tenha mencionado o nome do deputado. Interlocutores de Cunha dizem, porém, que ele foi avisado de que Camargo teria mudado sua versão em depoimento. Por isso, o peemedebista espera ser denunciado pela procuradoria.

Enquanto isso no senado

Já o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atribui sua investigação a uma ação do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). Os cabeças do Congresso estão dizendo que o governo do PT não fez nada para impedir as ações. É que eles estavam acostumados com o governo do PSDB que protegiam a todos os corruptos.

GOSTOU? CURTA NOSSA PÁGINA E FAÇA UM COMENTÁRIO!
Compartilhar no G+