Cão entra em depressão após perda do dono, definha e morre em Santos (SP)

O homem morreu repentinamente. Na família, um dos que muito sofreram com sua ausência foi um membro de 14 anos. 

Ele deixou de comer e passou a receber cuidados externos, mas não resistiu à perda.

Trata-se de Sombra, um cão da raça boxer, que morreu após três semanas de acolhimento na Codevida (Coordenadoria de Defesa da Vida Animal), da Prefeitura de Santos (a 72 km de São Paulo).

O animal, morto no último sábado (25), chegou a pesar 15 kg –um adulto da raça pode passar dos 30 kg. As costelas marcavam a pele. Exames apontaram apenas uma doença: anemia.

Segundo Leila Abreu, coordenadora da Codevida, Sombra recebeu uma transfusão de sangue, mas o organismo a rejeitou. Ele seria submetido ao procedimento outra vez no dia em que morreu.

Funcionários da Codevida souberam da situação do boxer após informação de um vizinho. No início de junho, Abreu foi ao endereço do cão e descobriu que não era um caso de maus-tratos: o "tutor" do cão tinha morrido três meses antes.

"Apesar da idade, ele não tinha problemas renais nem de fígado. O coração era de 'criança'. Comia vorazmente, mas não engordou um grama. Não interagia nem sequer olhava nos nossos olhos. Na noite anterior à morte dele, parecia estar se despedindo. Não se consegue provar cientificamente, mas ele queria ir embora", diz ela, que é cuidadora de animais há 20 anos.

A médica veterinária Marcella Sanches, formada pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Botucatu, no interior do Estado, confirma ser muito frequente a depressão em cães após a morte dos donos. "O animal muda de comportamento, para de se alimentar, fica apático. A idade avançada pode contribuir para isso. É importante que a família lhe dê suporte e atenção e o estimule a brincar."

"A gente não é Deus. Existem mais coisas além da medicina veterinária. Ele [Sombra] não estava mais ali. Só com o coração batendo, estava se preparando para ir embora", acredita Abreu.

Sombra fazia jus ao nome



O dono de Sombra era o empresário do setor de transportes Gil David de Freitas Sousa, 49. 

Filha dele, a auxiliar de importação Letícia Zambuzzi de Freitas Sousa, 20, conta que o cão passou praticamente toda a vida com a família. 

"Ele chegou em casa com uns quatro ou seis meses, só que, como morávamos em apartamento, ele [Sombra] foi levado para a transportadora. 

Lá tinha espaço, brincava com os funcionários. Meu avô fazia a comida, mas era meu pai quem colocava. O nome dele era Sombra porque, aonde a gente ia, principalmente o meu pai, ele ia atrás", relata a filha.

Há quatro meses, seu pai se queixou de uma forte dor de cabeça. Desmaiou, teve uma parada cardiorrespiratória e, em menos de uma semana, morreu. "Não diagnosticaram nada. 


E, depois da partida dele, o Sombra adoeceu. Até então, era superalegre. Parecia ter um ano de idade ainda."

Fonte: Uol

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