Delator diz que foi pressionado por Cunha a pagar US$ 10 milhões em propinas

Chegou a tua hora Cunha!

O consultor Júlio Camargo, ex-prestador de serviços às empresas Toyo Setal e Camargo Corrêa, afirmou à Justiça Federal, na tarde desta quinta-feira (16), em Curitiba, que foi pressionado pelo presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O motivo da pressão seria pelo pagamento de US$ 10.000.000,00 (dez milhões de dólares ou pouco mais de trinta milhões de reais) em propinas para viabilizar dois contratos para a construção de navios-sonda junto à Petrobras.

Segundo Júlio Camargo, o presidente da Câmara pediu pessoalmente a ele a quantia de US$ 5 milhões (cinco milhões de dólares), durante uma reunião que teria ocorrido no Rio de Janeiro. Na ocasião, Cunha teria dito que estava "no comando de 260 deputados", além de ter mostrado certa "agressividade" como forma de intimidação, tudo isso durante a reunião. O delator disse ainda que não havia revelado o fato anteriormente por temer represálias às empresas que representava ou mesmo à sua família e a si próprio. A informação foi adiantada nesta quinta pelo jornal O Globo.

"Todo homem que é responsável é obrigado a ter medo e receio. E uma pessoa que age não diretamente, e tem que ameaçar você através de terceiros, já é uma pessoa a quem deve se ter todo cuidado", disse em depoimento na tarde desta quinta (16) à Justiça Federal de Curitiba. "Estamos falando de uma pessoa que, dizia ele, tinha o comando de 260 deputados no Congresso –e na eleição para líder do Congresso, na minha opinião, isso se constatou", continuou.

"Tivemos um encontro o deputado Eduardo Cunha, Fernando Soares e eu. Eu fui bastante apreensivo. O deputado Eduardo Cunha é conhecido como uma pessoa agressiva, mas confesso que comigo foi extremamente amistoso, dizendo que ele não tinha nada pessoal contra mim, mas que havia um débito meu com o Fernando do qual ele era merecedor de US$ 5 milhões", relatou Camargo.

O presidente da Câmara negou as acusações e chamou o delator de "mentiroso". "Ele é mentiroso. Um número enorme de vezes dele negando qualquer relação comigo e agora (ele) passa a dizer isso. Obviamente, ele foi pressionado a esse tipo de depoimento. É ele que tem que provar. A mim, eu nunca tive conversa dessa natureza, não tenho conhecimento disso. É mentira", afirmou Eduardo Cunha.

Um advogado que presenciou o depoimento afirmou que "Cunha é o beneficiário final. Júlio Camargo imputou ao Eduardo Cunha divisão da eventual propina ou do valor que o Fernando Baiano ganhou, metade para cada um". Dos US$ 5 milhões entregues a Cunha, metade teria sido obtido junto ao doleiro Alberto Youssef. O restante teria sido obtido junto a Fernando Baiano, apontado como um dos operadores do esquema. Segundo Júlio Camargo, Fernando Baiano seria o "sócio oculto de Eduardo Cunha".

"Me organizei porque o deputado Eduardo Cunha não aceitou que eu pagasse somente a parte dele. Ele me disse: 'Olha, Júlio, não aceito que pague só a minha parte. Pode até pagar o Fernando [com prazo] mais dilatado, mas o meu eu preciso rapidamente. Mas faço questão de você incluir no acordo ainda aquilo que você falta pagar ao Fernando', e aí chegou entre US$ 8 a 10 milhões", disse Camargo.

É a primeira vez que Júlio Camargo cita Eduardo Cunha como receptor de propina no âmbito da Lava Jato. Ele teve a delação premiada homologada em dezembro do ano passado. Em Brasília, há dias os comentários dão conta de que Cunha está prestes a ser denunciado. O deputado afirmou que, se isso acontecer, ele retaliará o Planalto.

Abaixo, a nota de Cunha sobre a acusação de Júlio Camargo

NOTA À IMPRENSA

Com relação à suposta nova versão atribuída ao delator Júlio Camargo, tenho a esclarecer o que se segue:

1- O delator já fez vários depoimentos, onde não havia confirmado qualquer fato referente a mim, sendo certo ao menos quatro depoimentos.

2- Após ameaças publicadas em órgãos da imprensa, atribuídas ao Procurados Geral da República, de anular a sua delação caso não mudasse a versão sobre mim, meus advogados protocolaram petição no STF alertando sobre isso.

3- Desminto com veemência as mentiras do delator e o desafio a prová-las.

4- É muito estranho, às vésperas da eleição do Procurador Geral da República e às vésperas de pronunciamento meu em rede nacional, que as ameaças ao delator tenham conseguido o efeito desejado pelo Procurador Geral da República, ou seja, obrigar o delator a mentir.

Deputado Eduardo Cunha
Presidente da Câmara dos Deputados

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