Indiciado presidente da Gutierrez, maior doadora da campanha de Aécio; mais de 20 milhões

Polícia Federal indicia presidente da Andrade Gutierrez e mais 8 pessoas. Indiciamentos são referentes à 14ª fase da Operação Lava Jato. Construtora diz não ter qualquer relação com os fatos investigados.

Empresa que passou a ser investigada na 14ª fase da Lava Jato e teve seu presidente, Otávio Azevedo, preso na última sexta-feira foi a maior doadora de recursos da campanha do senador Aécio Neves em 2014; de acordo com dados obtidos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram 322 doações para o então candidato do PSDB à presidência em 2014, somando mais de R$ 20 milhões.

Outra relação da companhia com o PSDB de Aécio Neves ocorreu em Minas Gerais, onde a Andrade Gutierrez recebeu, de bandeja, a gestão da Cemig, que lhe foi entregue pelos tucanos em um acordo de acionistas. A estatal mineira é uma das usadas em atos de corrupção que alimentou o esquema do doleiro Alberto Youssef.

Em coletiva de imprensa na sexta-feira 19, o procurador da República Carlos Fernando Lima, da Lava Jato, citou que a Odebrecht e a Andrade Gutierrez estão envolvidas em irregularidades que vão além da Petrobras, podendo chegar ao setor energético – ele citou a usina Angra 3, no Rio de Janeiro. O teste de imparcialidade da investigação será a Cemig.

Nove pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal (PF) no inquérito da 14ª fase da Operação Lava Jato relacionado à construtora Andrade Gutierrez. Entre elas, está o presidente da empreiteira, Otávio Marques de Azevedo.

Até aqui, as doações feitas por empreiteiras investigadas na Lava Jato ao PT foram criminalizadas, como sendo dinheiro de propina, desviado da Petrobras para favorecer o partido e registrado oficialmente na Justiça como regular. No entanto, as empresas financiaram campanhas de todos os partidos e, como se vê na nova fase, algumas chegaram a doar mais para os tucanos do que para o Partido dos Trabalhadores.

Terão sido propina as doações da Andrade Gutierrez e da Odebrecht a Aécio Neves e seu partido?

Os crimes citados no inquérito são contra a ordem econômica, corrupção ativa e lavagem de dinheiro e fraude à licitação.

Nove pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal (PF) no inquérito da 14ª fase da Operação Lava Jato relacionado à construtora Andrade Gutierrez. Entre elas, está o presidente da empreiteira, Otávio Marques de Azevedo.

Os crimes citados no inquérito são contra a ordem econômica, corrupção ativa e lavagem de dinheiro e fraude à licitação.

A PF concluiu inquérito da Andrade Gutierrez na noite deste domingo (19). O relatório parcial foi protocolado no processo eletrônico da Justiça Federal por volta das 19h30.

Por meio de nota, a empreiteira Andrade Gutierrez informou que não tem ou teve qualquer relação com os fatos investigados pela Lava Jato. A nota relata que a empresa sempre esteve à disposição das autoridades para colaborar com as investigações para esclarecer as dúvidas.

"A empresa reitera que nunca participou de formação de cartel ou fraude em licitações, assim como nunca fez qualquer tipo de pagamento indevido a quem quer que seja. A empresa reafirma ainda que não existem fundamentos ou prova que justifiquem a prisão e o indiciamento de seus executivos e ex-executivos", diz um trecho da nota.

Os indiciados são:

- Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez
- Rogerio Nora de Sá, presidente da Andrade Gutierrez até 2011
- Flavio Lucio Magalhães, suposto operador
- Antônio Pedro Campello de Souza, ex-diretor da Andrade Gutierrez
- Paulo Roberto Dalmazzo, ex-executivo da Andrade Gutierrez
- Elton Negrão de Azevedo Júnior, diretor-executivo da Andrade Gutierrez
- Mário Frederico Mendonça Goes, empresário e suposto operador do esquema
- Lucélio Roberto Von Lehsten Goes, filho de Mário Goes
- Fernando Antonio Falcão Soares, suposto operador do esquema (conhecido como Fernando Baiano)

Os advogados de Mário Goes e Fernando Baiano não atenderam as ligações do G1. Já os demais advogados não foram localizados pela reportagem.

"Oferecemos o presente sumário a vista do exíguo prazo decorrente da segregação provisória dos indiciados, em que pese constem celulares, mídias e alguns documentos pendentes de análise, bem assim a existência de outros elementos colaterais (como implicações de indivíduos ainda não indiciados e desdobramentos a representarem condutas criminosas diversas) os quais, certamente, serão objeto de relatórios complementares e/ou de outros inquéritos policiais", diz um trecho do relatório, que é assinado pelo delegado da PF Eduardo Mauat da Silva.

O inquérito referente à empreiteira Odebrecht deve sair nas próximas horas ou até segunda-feira (20). Estes dois inquéritos são da 14ª fase da Lava Jato, deflagrada no dia 19 de junho.

Azevedo está detido na carceragem da PF, em Curitiba, desde junho, quando foi preso preventivamente, ou seja, por tempo indeterminado.

A Lava Jato investiga corrupção e desvio de dinheiro da Petrobras. A primeira fase da operação ocorreu em março do ano passado, com a prisão do doleiro Alberto Youssef, considerado o cabeça do esquema bilionário.

As empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez foram alvo da 14ª fase da Lava Jato. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), as empresas tinham esquema "sofisticado" de corrupção ligado à Petrobras, com depósitos no exterior.

Agora, o MPF vai analisar o indiciamento da PF para oferecer ou não uma denúncia à Justiça Federal. Se houver denúncia e o juiz federal Sérgio Moro aceitá-la, os denunciados passarão a ser réus. Moro é responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância.

O delegado da PF Igor Romário de Paula já tinha afirmado, à época da deflagração desta etapa da operação, que havia indícios bem concretos, com documentos, de que os presidentes das empresas tinham "domínio completo" de atos que levaram à formação de cartel e fraude em licitações, além de pagamento de propinas.

Além Azevedo, outras 11 pessoas foram presas na 14ª fase da Lava Jato, como o presidente da Odebrecht S.A, Marcelo Odebrecht. Destas, quatro foram soltas.

Continuam presos:

- Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht S.A.
- João Antônio Bernardi, ex-funcionário da Odebrecht
- Márcio Faria da Silva, diretor da Odebrecht
- Rogério Santos de Araújo, diretor da Odebrecht
- César Ramos Rocha, diretor da Odebrecht
- Alexandrino de Salles, ex-diretor da Odebrecht
- Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez
- Elton Negrão, diretor da Andrade Gutierrez

Todos eles estão detidos na carceragem da Polícia Federal, na capital paranaense.

Fonte: Com informações do G1 e Brasil 247

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