Ipu (CE): “Escândalo dos banheiros” completa 4 anos de impunidades

Com o título "Um escândalo há quatro anos", eis tópico da Coluna Política do jornalista Érico Firmo, no O POVO desta terça-feira (14). Ele relembra o caso dos banheiros. Confira:

Há quatro anos, O POVO publicava reportagem do jornalista Bruno Cabral que começava a trazer à luz um dos mais desavergonhados casos de corrupção da história recente do Estado: o escândalo dos banheiros. As vítimas primeiras eram populações pobres, que nem banheiro têm em casa. Além de tudo, uma crueldade.

O então presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Teodorico Menezes, está afastado da Corte, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde responde a processo. Dirigentes de entidades que receberam dinheiro público para construir banheiros e nunca realizaram as obras tinham ligações pessoais, profissionais ou políticas com ele.

Outro que responde no STJ é o filho de Teodorico, o ex-deputado estadual Téo Menezes, cuja campanha em 2010 recebeu doações de alguns dos dirigentes cujas entidades receberam verba e não executaram o trabalho previsto. O afastamento do então parlamentar da Assembleia Legislativa foi pedido, mas não foi acatado. No ano passado, não foi reeleito.

Secretário das Cidades que assinou os convênios nunca concretizados, Jurandir Santiago era presidente do Banco do Nordeste (BNB) quando o escândalo foi descoberto. Deixou o BNB meses após O POVO revelar o escândalo, depois que o Ministério Público encontrou indícios de que, conforme O POVO revelou também com exclusividade, teria recebido dinheiro que deveria ter ido para a construção de banheiros em Ipu.

O secretário das Cidades na época em que o escândalo dos banheiros estourou era Camilo Santana (PT). Não chegou a liberar recursos, mas autorizou a última prorrogação de prazo para os convênios. Meses antes de O POVO divulgar o caso, chegou a instaurar procedimento para investigar as irregularidades. Hoje, é governador do Ceará.

Mais triste de tudo é que o programa de construção de banheiros até hoje não tenha sido retomado. Mudanças foram anunciadas para evitar desvios. Mas não se tem notícia de que um banheiro sequer tenha sido construído. Enquanto isso, as famílias aguardam.

No município de Ipu - Após 4 anos, o sentimento é de indignação da população ipuense com a impunidade. O ex-prefeito Sávio Pontes é acusado pelo Ministério Público Estadual de integrar um esquema que desviou mais de R$ 3 milhões do projeto de construção de kits sanitários, no chamado "Escândalo dos Banheiros".

Durante as investigações do MP, Sávio Pontes chegou a ser preso em junho de 2012, depois de passar seis dias sendo procurado pela Polícia. Após se entregar, o ex-prefeito teria deixado sua cela no quartel do Corpo de Bombeiros e se internado no Hospital Prontocárdio, por conta de problemas de pressão. Além da prisão, ele já havia sido afastado três vezes do cargo por atos irregulares no comanda da prefeitura.

Sávio Pontes encerrou seu mandato em 1° de janeiro de 2013, quando entrega o cargo a seu adversário Sérgio Rufino (PCdoB), prefeito eleito em outubro de 2012.

Luta pelo poder para garantir a impunidade - Mesmo com a sua imagem bastante queimada, devido aos Escândalos dos Banheiros, e muitos outros casos de corrupção, o ex-prefeito Sávio Pontes ainda fala em disputar as eleições de 2016. Mas se for impedido, da mesma forma que foi em 2012, o seu mais provável substituto é o jovem Diego Carlos (PRB), seu vice de chapa em 2012 e que acabou sendo o candidato do grupo, após Sávio ser impedido, pois depois de ser preso, ele acabou expulso do PMDB e ficou sem legenda.

Os vários escândalos cometidos no município de Ipu ainda estão sendo apurados e que nem começaram a ser julgados, mas o grupo de oposição deseja retornar ao poder para facilitar a impunidade do seu grupo político, pois não é somente o ex-prefeito que está envolvidos nos vários escândalos, outros membros do grupo também estão envolvidos nas maracutaias.

Cronologia da impunidade

29/06/2011: Durante vistoria no município de Ipu ficou comprovado que os banheiros prometidos não haviam sido construídos. O promotor Keneddy Carvalho denunciou a empresa fantasma e fraudes milionárias em licitação.

15/06/2012: Após denúncia do MP, o Tribunal de Justiça determinou a prisão de Sávio Pontes.

21/06/2012: Seis dias após ter a prisão decretada, Sávio Pontes que estava afastado e foragido, resolveu se apresenta à Polícia.

22/06/2012: O vice-prefeito Luiz de Gonzaga assumiu a Prefeitura, com queima de fogos e festa em Ipu.

28/06/2012: Por decisão judicial, Sávio Pontes retornou à Prefeitura.

13/09/2012: Uma decisão judicial pediu um novo afastamento do prefeito e ele foi afastado novamente, mas antes, ele zerou as contas da prefeitura nos bancos da cidade.

28/11/2012: Sávio Pontes novamente reassumiu a Prefeitura para ficar até o final de mandato, mas seu retornou se deu em meio a muitos protestos da população que já não queria saber de tanta corrupção na prefeitura de Ipu. A polícia agiu com violência e até tiros de bala de borracha foram disparados contra a população. Muitos saíram machucados com a violência da polícia.

Com informações do O POVO

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