Lava Jato: Cunha poderá ser preso, pois teria coagido três testemunhas

A colunista Mônica Bergamo informa que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pode ser preso preventivamente ou afastado do cargo durante o recesso parlamentar. O motivo seria a tentativa de coagir e intimidar testemunhas.

Segundo ela, procuradoria-geral da República, comandada por Rodrigo Janot, trabalha com a informação de que o presidente da Câmara dos Deputados teria pressionado não apenas o delator Júlio Camargo, da Toyo Setal, como o lobista Fernando Soares, tido como "operador" do PMDB.

O doleiro Alberto Youssef também afirmou em depoimento: "E eu acho isso um absurdo, eu como réu colaborador quero deixar claro que eu estou sendo intimidado pela CPI da Petrobras por um deputado, 'pau mandado' do senhor Eduardo Cunha." (Veja Aqui).

"A tentativa de ocultar provas ou coagir testemunhas é uma das razões previstas em lei para a decretação de prisão preventiva de um investigado. Segundo um ministro do Supremo Tribunal Federal que se diz 'impressionado' com as declarações dos delatores de que sofrem ameaças, a corte tem sido implacável em casos assim", informa Bergamo.

Cunha, que foi acusado por Júlio Camargo, da Toyo Setal, de exigir US$ 5 milhões em propinas, acusa Janot de persegui-lo para ser reconduzido ao cargo de procurador-geral em setembro. O advogado de Fernando Soares, Nélio Machado, nega que seu cliente esteja sendo intimidado. "A pressão que ele recebe é na cadeia para fazer delação", diz Machado.

Segundo Bergamo, o afastamento é mais provável do que a prisão. "A procuradoria-geral, no entanto, dificilmente fará pedido semelhante ao STF. Uma das razões é que, ainda que as supostas ameaças pudessem ser provadas e que a corte, numa atitude extrema, admitisse a prisão de Eduardo Cunha, ela só seria efetivada se autorizada pela Câmara dos Deputados – onde o peemedebista mantém ainda grande influência", diz ela.

"Os procuradores seguem discutindo, no entanto, a hipótese de pedir o afastamento de Cunha da presidência da Câmara, como antecipou a coluna. A alegação seria a de que, no cargo, ele tem poder para tentar atrapalhar as investigações. A decisão só não foi ainda tomada porque há o temor de que o STF negue o pedido."

Com informações de Mônica Bergamo do Folha

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