Grupo reúne mulheres ciclistas em Fortaleza

Pedalar em Fortaleza se tornou comum, mas para as mulheres a ''aventura'' ainda pode ser um desafio maior. 

As ''ciclanas'' realizam reuniões e oficinas mensais, onde trocam experiências sobre o transporte em duas rodas.

Bicicleta: substantivo feminino, e não somente no dicionário. 

É o que aposta o grupo “Ciclanas – Mulheres de bicicleta no trânsito de Fortaleza”, criado em março desse ano para aprofundar a relação delas, enquanto cilcistas, com os espaços públicos. 

A ideia é superar os obstáculos de assédio, assaltos e atropelamento – os últimos dois uma constante também para os ciclistas homens.

A engenheira civil Karinne Góis, 31 anos, uma das fundadoras do Ciclanas, quase não anda mais de carro e conta que sua carteira de motorista, inclusive, esta vencida há mais de cinco anos. 


Considerando que dirigir na capital cearense era uma tarefa estressante, ela encontrou na bicicleta seu meio de transporte fundamental. “Eu pegava ônibus e carona, mas descobri que é possível andar de bicicleta aqui. 

Foi minha independência. Eu e algumas amigas que também pedalavam nos juntamos e percebemos que faltava um grupo para acolher as mulheres, pois a maioria era desestimulada até pelo namorado ou pai que já pedalavam. Eles diziam que era perigoso”.

O mote para o início das atividades foi a comemoração do Dia da Mulher, em 8 de março desse ano, quando o Ciclanas – que ainda não tinha esse nome - foi criado no Facebook. 


Agora, o grupo possui mais de 1200 participantes e conta com reuniões e oficinas mensais, ministradas pelas próprias ciclistas. “O último, por exemplo, trazia dicas para evitar dores de coluna. Uma fisioterapeuta do grupo ministrou a oficina e foi bem legal. É assim, cada uma vai jogando a ideia e vamos discutindo como driblar os desafios e ter coragem para pedalar dentro da cidade”.

E pode ir para a balada de bicicleta? Para Karinne, não há impedimentos nem pelo horário nem pelas vestimentas. Sair de bicicleta, maquiada e de saia, é possível, sim. “A dica é começar devagar, procurar ajuda de quem já faz trajetos pela cidade. 


Eu volto de madrugada com amigas e nunca aconteceu nada. Tem que ficar mais alerta de noite, principalmente aos motoristas alcoolizados. Em geral, ainda existe muito a cultura de que matar alguém de carro é menos grave do que com um 38 [revólver]. Não é, o que falta é respeito no trânsito”.

A engenheira, que desde 2013 faz os seus trajetos de bicicleta, discorda do senso comum de que andar de carro é mais seguro. “Sozinha, você tem que procurar vaga e fica mais vulnerável. 


Até no caso de assaltos, se você for abordada em um engarrafamento não tem chance de desviar. De bicicleta, eu posso ver uma situação mais perigosa e desviar, dobrar o quarteirão. Isso com uma visão bem mais ampla do que se a pessoa estiver a pé”, frisa Karinne.

De bike até Pentecoste


Uma das atividades promovidas pelo Ciclanas foi uma viagem de Fortaleza até Pentecoste, em que cinco mulheres e três homens pedalaram cerca de 80 km por dia. A viagem era para conhecer uma mulher que já viajou de bicicleta pela América Latina, e foi a oportunidade de enfrentar o medo de pedalar em estradas. "Por incrível que pareça, foi bem mais tranquilo do que andar na cidade. Além disso, é uma forma de ver a natureza. Se a gente visse uma cachoeira no caminho, já era parada", completou Karinne.

O Ciclanas possui algumas regras, que conforme a jornalista Sheryda Lopes, 29, são as mesmas necessárias para a “boa convivência” de qualquer grupo nas redes sociais. "A gente gosta de dizer que o grupo nasceu sozinho, ele foi formado coletivamente. Homens não podem participar, eles podem ser parceiros. E também definimos que as postagens devem estar relacionadas ao uso de bicicletas".

Sheryda começou a utilizar a bicicleta como meio de transporte no final de 2013 e cita as vantagens em relação ao carro, como redução de gastos, ocupação da cidade e qualidade de vida. "É mais eficiente, e bicicleta não mata ninguém, o que é perigoso no trânsito são os carros.

É importante que mais pessoas usem a bicicleta, que os motoristas se acostumem e contribuam para um trânsito mais seguro”, diz ela.

Cidade ''ciclável''


Um artigo da Comunidade Científica Americana, publicado em 2009, apontou que uma das formas de saber o quão ''ciclável'' é uma cidade é contabilizando o número de mulheres que pedalam nas ruas. As mulheres são consideradas um indicador de cidades amigáveis para os ciclistas, pois estariam menos habituadas a correr riscos.

Assim, elas podem ter papel importante para um maior investimento em infraestutrua e planejamento urbano.

"Eu não costumo carregar notebook porque o pavimento de Fortaleza é péssimo", diz Karinne. Mesmo assim, ela acredita que o clima da capital cearense é um atenuante. "Tem vento, e o calor daria para resolver com mais arborização. Falam que na Europa é mais fácil do que aqui, mas na verdade pedalar no frio é muito ruim".

Dicas para começar a pedalar em Fortaleza

- Descubra qual a bicicleta ideal para você, adequada ao seu tamanho, peso e altura;
- Procure os grupos de ciclistas na capital, como o Ciclanas, Ciclovida, e o voluntário Bike Anjo;
- No começo, o ideal é usar sapato fechado e roupa confortável;
- Respeite as regras do trânsito;
- Experimente fazer os percursos com a ajuda de quem já é ciclista;
- Fique atenta aos trajetos e movimentação ao seu redor. Se perceber uma situação arriscada, mude de caminho;
- Evite carregar grande peso nas costas, pois a bagagem pode fazer você transpirar mais. Uma opção é colocar a bolsa na cesta ou na cela de trás.

Serviço


Para entrar no Ciclanas, solicite a participação no grupo privado do Facebook, onde o calendário de reuniões e oficinas é atualizado.

Fonte: O Povo

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