Lava Jato: Câmara quer invalidar provas da participação de Cunha

Agora imagine a nossa Câmara dos Deputados protegendo os parlamentares quando investigados por corrupção. Foi o que acaba de acontecer.

A Câmara entrou com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que seja invalidado os documentos obtidos Departamento de Informática que podem ser as provas do envolvimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no esquema Lava Jato.

Cunha é alvo de investigação na operação Lava Jato, após ter sido citado no esquema pelo doleiro Alberto Youssef e pelo lobista Julio Camargo. Um mandado de busca e apreensão em seu gabinete foi assinado pelo Procurador-Geral da República (PGR), Rodrigo Janot, com autorização do STF.

Acusado de ter recebido US$ 5 milhões em propina de um contrato de aluguel de um navio-plataforma das empresas Samsung e Mitsui com a Petrobrás, Cunha tem vivido seu inferno astral. A apreensão dos documentos foi necessário porque, segundo Youssef, dois requerimentos abertos na Câmara em 2011 que pediram auditoria nos contratos envolvendo as empresas seriam para supostamente pressioná-las, após as mesmas terem suspendido os pagamentos de propinas.

A Câmara argumenta que a ação de apreensão dos documentos, autorizada pela Suprema Corte, "desrespeitou prerrogativas fundamentais da Constituição e a harmonia dos Poderes, necessárias para um exercício altivo e independente do Poder Legislativo para a sobrevivência de uma democracia civilizada", diz o pedido encaminhado nesta sexta-feira (07/08), ao STF. O documento é assinado pelo Advogado-Geral da União substituto, por Fernando Luiz Albuquerque Faria, em nome da Casa Legislativa.

Fernando Luiz Albuquerque Faria disse que o pedido "não tem o objetivo de atingir a tramitação da qual Cunha é alvo e muito menos o de sair em defesa do investigado. A Câmara dos Deputados atua aqui em nome próprio".

Cunha se manifestou pelo Twitter e negou ter influenciado o recurso:

"Não orientei qualquer ação, até porque não preciso que a minha defesa seja feita por alguém que não seja o meu advogado", escreveu Cunha. Segundo o presidente da Câmara, a atuação da Advogado-Geral da União é independe e "deveria ter sido feita em defesa da imunidade parlamentar, não em defesa minha, da qual não preciso", disse.

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