É justo uma empresa subir preço de um remédio em 5000%? Seu presidente defende que sim

A farmacêutica Turing diz ter aumentado o preço do Daraprim, usado contra toxoplasmose, para torná-lo lucrativo; medida gerou protestos de órgãos de saúde nos EUA e levantou debate sobre como valores são estipulados no país.

Você acharia justo um aumento de 5000% no preço de um medicamento usado por pacientes com Aids da noite para o dia?
Martin Shkreli, presidente da Turing, uma farmacêutica americana, acredita que é. Ele está no centro da controvérsia após uma reportagem do jornal “The New York Times” revelar o aumento do preço dessa magnitude para uma dose de Daraprim.

A droga é usada em tratamentos contra toxoplasmose, doença infecciosa causada por um protozoário encontrado nas fezes de felinos e que afeta pessoas que estão com seu sistema imunológico comprometido (por exemplo, por culpa da Aids ou de alguns tipos de câncer). É uma doença rara, porém potencialmente fatal.

O comprimido do Daraprim passou de US$ 13,50 (R$ 54) para US$ 750 (R$ 3 mil) após a Turing comprar, em agosto passado, os direitos para fabricar o medicamento, que está há 62 anos no mercado. O comprimido custa cerca de US$ 1 para ser produzido.

Mas Shkreli, um ex-gerente de fundos de investimento, diz que esse valor não inclui outros custos, como marketing e distribuição, que teriam aumentado drasticamente nos últimos anos e que a receita obtida será usada em pesquisas de novos tratamentos para a toxoplasmose.

“Precisamos ter lucro com essa droga. Antes de nós, as empresas estavam praticamente dando-a de graça”, afirmou ele em entrevista à emissora Bloomberg.

Prática ‘comum’ ou ‘revoltante’?

Martin Shkreli, da Turing, defende que aumento de preço é necessário para tornar Daraprim lucrativo
O executivo afirma que essa prática é comum na indústria: “Hoje em dia, medicamentos modernos, como drogas para câncer, podem custar US$ 100 mil ou mais. O Daraprim ainda está mais barato em relação a esses medicamentos.”

Fonte: Bem Estar

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