Família de vítimas de acidente no Maranhão revelam ameaças de morte

Oito estudantes morreram após ‘pau-de-arara’ capotar em abril de 2014. Pais de jovens pediram ajuda a comissão de direitos humanos da OAB.

Familiares dos oito estudantes secundaristas que morreram em acidente na MA-303, entre as cidades de Bacuri e Apicum-Açu, no litoral maranhense, no ano passado, estão sendo ameaçados de morte, segundo denúncia feita à Organização dos Advogados do Brasil (OAB).

Cerca de 20 estudantes da escola Cristino Pimenta estavam na caminhonete ‘pau-de-arara’, quando o veículo caiu em uma ribanceira, após colidir com um caminhão. Depois de um ano e cinco meses das mortes das crianças, as famílias das vítimas ainda lutam por Justiça.

Os pais das vítimas reclamam da morosidade da Justiça e a maior revolta é porque o processo judicial parou na comarca, depois que o juiz e a promotora de Bacuri foram afastados pelo Tribunal de Justiça e Procuradoria de Justiça. “Eu não vou parar de lutar. Vou andar de cabeça erguida. As ameaças contra mim, não me dão medo. Eu quero Justiça”, disse Edivaldina Pereira Ramos mãe de uma das vítimas.

Nesta sexta-feira (25), os pais de três adolescentes mortos procuraram a comissão de direitos humanos da OAB para pedir ajuda e proteção. O presidente da comissão de direitos humanos, Antônio Pedrosa, disse que vai acompanhar o desenrolar das investigações criminais e administrativas.

“Nós queremos saber que tipo de providencias no âmbito criminal foram adotadas para responsabilizar estas pessoas que tiveram, de alguma forma, participação ou omissão naquele episodio trágico. Para nós é importante mobilizar as instituições locais para alcançar uma satisfação mínima para esses familiares a nível de Justiça’, afirmou, presidente da comissão de direitos humanos da OAB.

O desejo de Silvia Núbia Costa, mãe de duas jovens que morreram no acidente, é ver os envolvidos indiciados, julgados e punidos pela Justiça. “São várias as irregularidades. A gente não pode passar por cima disso e fingir que nada aconteceu e ficar de braços cruzados. Não pude nem me despedir dela (filha), olhar para o rosto dela porque ficou dilacerado. As vezes quando penso nela lembro do rostinho, mas da outra não consegui. Estou sofrendo muito e não posso ver essas coisas e ficar calada”, afirmou.

A assessoria de comunicação da Corregedoria de Justiça informou que o processo foi remetido para a vara de bacuri e está parado desde o dia 30 de junho. O Ministério Público ainda não respondeu se houve afastamento da promotora.

Tragédia anunciada

Há três anos, um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) já apontava as condições precárias do transporte escolar na cidade. Segundo a CGU, em 2012, quatro automóveis contratados pela prefeitura para fazer o transporte escolar, estavam em condições insalubres e impróprias para o uso de alunos. Estes veículos eram fabricados somente para o transporte de cargas, não de passageiros.

Dados do Portal da Transparência, do Governo Federal, mostram que, de 2011 a 2013, o Ministério da Educação repassou R$ 315.525,59 diretamente para o município de Bacuri. Os recursos deveriam ser destinados exclusivamente para o apoio ao transporte escolar.

Investigações

A linha de investigação atua em duas vertentes: criminal (causa das condições desses veículos, o estado de embriaguez alcoólica do motorista que teria mandado o filho menor de idade dirigir o “pau-de-arara” envolvido no acidente e as mortes dos adolescentes) e administrativa, pois segundo o Ministério Público, houve fraude nas licitações feitas pelo município para contratar os carros usados para transportar estudantes.

Fonte: G1

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