Para Gilmar Mendes, PT tinha ‘plano perfeito’ para se ‘eternizar’ no poder

Após participar de um seminário na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou nesta sexta-feira (18) que o PT tinha o “plano perfeito” para se “eternizar” no poder, mas que a Operação Lava Jato, “estragou tudo”.

Vale ressaltar que a favor da manutenção das doações por empresas para as campanhas eleitorais votaram somente Gilmar Mendes (em voto lido nesta quarta-feira, 16), Teori Zavascki, que já havia se manifestado em abril do ano passado, e Celso de Mello.

Para o ministro Mendes, o PT é contra esse tipo de doação porque o partido conseguiu em propinas dinheiro para disputar as “eleições até 2038”. “E deixariam os caraminguás para os demais partidos. Era uma forma fácil de se eternizar no poder”, afirmou o ministro.

“O partido já tinha esse dinheiro. Estava captando, como vocês sabem, nesse modelo que está sendo revelado da Lava-Jato. O que atrapalhou todo esse projeto, que era um projeto de consolidação do grupo do poder, no poder, eternização? O que atrapalhou? A Lava Jato. A Lava Jato estragou tudo. Evidente que a Lava Jato não estava nos planos […] O plano era perfeito, mas não combinaram com os russos”, completou o ministro.

Em nota anterior as declarações do ministro nesta sexta, o PT já havia rebatido outra declaração semelhante do ministro dizendo que “Gilmar Mendes falta com a verdade quando atribui ao PT oportunismo na decisão de condenar o financiamento empresarial” […] “A série de impropérios assacada por Mendes durante as longas horas que durou seu voto ofende até os demais ministros [a maioria] que integram a Suprema Corte [e que votaram pelo fim das doações de empresas privadas]”, continua o texto assinado pelo PT.

Declarações e considerações

A declaração de Gilmar Mendes de que o PT tinha o “plano perfeito” para se “eternizar” no poder não tem muita base, pois foi durante o governo Dilma que a Lei Federal Nº 12.846/2013 – chamada de “Lei Anticorrupção” foi criada.

Com a Lei Anticorrupção foi criado o “Acordo de Leniência” que fez surgir as “Delações Premiadas” que tanto se fala hoje e que está ajudando a fazer uma limpeza na política nacional ao colocar corruptos e corruptores na prisão. (Veja Aqui).

Em abril de 2015, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, anunciou que o PT era o primeiro partido político do Brasil a decidir, por vontade própria, a deixar de receber doações de empresas privadas. Nenhum outro partido teve a mesma atitude.

Outro detalhes importante é que de acordo com dados divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na lista da Operação Lava Jato, o PMDB e PT têm 07 integrantes na relação; PTB e PSDB fecham a conta, com um nome cada. Na dianteira absoluta está o PP que lidera a lista da Lava Jato com 32 integrantes investigados. Do PP são 3 senadores, 18 deputados e 11 ex-deputados.

Também é digno de nota que o maior partido de oposição, o PSDB do senador Aécio Neves, do total geral de doações recebidas, 42% vieram das empresas investigadas na Lava Jato. Seis construtoras: Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão, doaram ao candidato tucano o valor de R$ 34.170.000.

Discurso político ou partidário

São por declarações desse tipo, que o discurso do ministro Gilmar Mendes acabou considerado político ou partidário, pois seus posicionamentos são contrários ao governo e aparentemente tendencioso.

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