Ceará: Chikungunya supera casos de dengue em 2017

O Ceará começa 2017 registrando, pela primeira vez, mais casos de febre chikungunya do que de dengue. Foi o que revelou o boletim epidemiológico de arboviroses, divulgado no último dia 10 pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa). Neste início de ano, entre 1º de janeiro e 4 de fevereiro, o Estado contabilizou 227 ocorrências de febre chikungunya, 27 a mais que o número de casos de dengue.

A doença, que chegou ao Estado em 2015, e se fortaleceu em 2016, quando atingiu quase 30 mil pessoas, manteve tendência de crescimento. De acordo com os dados da Sesa, a quantidade de notificações de febre de chikungunya em 2017 (1.341) já é quase 20 vezes superior à registrada no mesmo período do ano passado (72).

Foram confirmados casos em sete das 22 Coordenadorias Regionais de Saúde (CRES). Fortaleza é o município com o maior número de registros. Conforme a Sesa, até agora, 125 pessoas foram diagnosticadas com a doença na Capital. Já o boletim da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) contabiliza 208 ocorrências do início do ano até o dia 10 de fevereiro. Todas as regionais da cidade possuem casos confirmados. A situação mais grave ocorre na Regional I, que tem 104 registros.

População suscetível

“Imaginamos que, em algum momento, haveria um direcionamento da epidemia para a chikungunya. Temos uma população muito suscetível, porque é uma doença nova no Estado e a maioria das pessoas nunca teve. Ao contrário da dengue, que já convive entre nós há muitos anos. Isso é algo que promove uma facilidade para termos mais casos de chikungunya e continuarmos com o vírus circulando”, afirma Érico Arruda, infectologista do Hospital São José (HSJ) e presidente da Sociedade Cearense de Infectologia.

Enquanto os casos de chikungunya ascenderam, a dengue teve redução no número de ocorrências. Nas cinco primeiras semanas do ano, a Sesa somou 200 casos confirmados, uma queda de 86,1% em relação a igual período de 2016, quando foram registrados 1.439 casos.

“Uma das possíveis causas dessa redução é que temos uma população que já foi exposta aos vírus, portanto está mais imune. Além disso, o mosquito Aedes aegypti, vetor da doença, agora está sendo disputado por outros vírus, da chikungunya e da zika”, diz Érico Arruda.

O infectologia pediátrico Robério Leite, também do Hospital São José, destaca que, desde o ano passado, o Ceará passa por um pico de casos de febre de chikungunya, que ainda deve se manter pelos próximos anos. Para ele, contudo, após essa fase, as ocorrências tenderão a diminuir, pois grande parte da população estará imune ao vírus causador da doença. “É provável que essa explosão de casos aconteça com mais intensidade agora no início, e depois caia. Também é provável que não haja muitas possibilidades de epidemias, diferentemente da dengue, que tem mais vírus circulando”.

Gravidade

Leite frisa que, se comparadas as duas doenças, a dengue continua possuindo maior nível de gravidade. No entanto, a chikungunya tem como consequência o desenvolvimento de formas crônicas de acometimento das articulações, provocando danos a longo prazo às pessoas infectadas. “Isso causa um problema grave de debilitação, porque essas pessoas podem ficar com dor articular para o resto da vida”.

A técnica do Núcleo de Controle de Vetores da Sesa, Ricristhi Gonçalves, afirma que, em um cenário com duas infecções consolidadas no Estado, a Secretaria tem investido esforços para evitar que as doenças se tornem epidemias de grande porte. O órgão aposta na capacitação de brigadistas que devem atuar no combate ao Aedes aegypti por meio de inspeções prediais e de agentes de endemias.

Aumento

227 Casos de febre chikungunya foram registrados no Estado do Ceará desde o início deste ano até 4 de fevereiro, 27 a mais do que as ocorrências de dengue.

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