Descoberto pela primeira vez um planeta rochoso com dimensões semelhantes às da Terra e atmosfera

Astrônomos detectaram pela primeira vez atmosfera ao redor de um exoplaneta rochoso de um tamanho próximo ao da Terra, o que representa um passo significativo na busca de vida fora do nosso Sistema Solar, segundo um estudo publicado revista Astronomical Journal.

“Embora isto ainda não seja a detecção de vida em outro planeta, esta descoberta representa um passo importante na direção correta, já que é a primeira vez que se detecta uma atmosfera ao redor de um planeta com uma massa e um raio semelhantes aos da Terra”, disseram os cientistas.

Este exoplaneta, chamado GJ 1132b e situado a 39 anos-luz da Terra na constelação Vela, é aproximadamente 16% maior que a Terra, mas está em uma órbita próxima demais à sua estrela, uma anã-vermelha, para poder ser habitável.

Segundo os astrônomos, as temperaturas nessa superfície ultrapassam 250 graus centígrados. As observações sugerem que o GJ 1132b está coberto por uma atmosfera rica em água e metano, mas os pesquisadores terão que usar outros telescópios mais poderosos para identificar as substâncias químicas presentes.

“Com esta pesquisa, nós demos o primeiro passo experimental para estudar as atmosferas de planetas menores, como a Terra. Simulamos uma gama de atmosferas possíveis para este planeta, e descobrimos que aquelas ricas em água e/ou metano explicariam as observações do GJ 1132b”, apontam os pesquisadores. “O planeta é significativamente mais quente e um pouco maior do que a Terra, então uma possibilidade é que ele seja um ‘mundo de água’ com uma atmosfera de vapor quente”, acrescenta.

Este tipo de estrelas, as anãs-vermelhas, são as mais comuns, e o fato de detectar um planeta com uma atmosfera orbitando um sistema estelar deste tipo sugere que as pré-condições para a existência da vida são bastante comuns no universo, apontam. Esta detecção faz do planeta GJ 1132b um alvo prioritário de observações para o telescópio espacial Hubble, o telescópio gigante europeu de Observação Austral (ESO), que está no Chile, assim como para o futuro James Webb Space Telescope, cujo lançamento está previsto para 2018.

A equipe que fez esta descoberta – liderada por John Southworth, da Universidade de Keele, no Reino Unido -, utilizou o telescópio europeu ESO/MPG no Chile para registrar imagens da estrela GJ1132 e medir a redução de intensidade de luz com cada passagem do planeta. Estas medidas de absorção da luz da estrela permitiram determinar a existência de uma atmosfera.

O planeta GJ 1132b foi descoberto em 2015, mas na época os astrônomos não sabiam se ele tinha uma atmosfera.

Com informações: AFP, via DN
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