Em entrevista, João Doria faz duras críticas a Lula: "quase destruiu o Brasil"

Esquecendo de tudo que fez o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, que desde sua derrota em 2014 e já prevendo que seria um dos mais delatados na Lava Jato se uniu com Eduardo Cunha para aprovarem pautas bombas e provocar o impeachment de Dilma Rousseff que desencadeou toda uma crise democrática e política que agravou a crise atual, João Dória atacou o ex-presidente Lula.

O Tucano afirma que sempre será oposição ao petista e se mostrou disposto a percorrer o país, no próximo ano, para evitar que Lula volte à Presidência.

Mantidas as condições atuais, em que os principais nomes do PSDB se encontram com algo a explicar perante o eleitorado, resta ao partido apostar na projeção da sua maior novidade, o prefeito de São Paulo, João Doria. E ele, por sua vez, encontra-se à vontade nesse papel, haja vista a disposição de participar em qualquer evento que possa passar o seu recado a um público distante do provincianismo paulistano. Na última semana, por exemplo, fez isso no 5º Seminário Luso-Brasileiro de Direito, comandado pelo Instituto de Direito Público (IDP), do ministro Gilmar Mendes, e pelo professor Carlos Blanco, da Faculdade de Direito de Lisboa. O tema do seminário era Constituição e governança nos seus mais diversos aspectos.

Mantidas as condições atuais, em que os principais nomes do PSDB se encontram com algo a explicar perante o eleitorado, resta ao partido apostar na projeção da sua maior novidade, o prefeito de São Paulo, João Doria. E ele, por sua vez, encontra-se à vontade nesse papel, haja vista a disposição de participar em qualquer evento que possa passar o seu recado a um público distante do provincianismo paulistano. Na última semana, por exemplo, fez isso no 5º Seminário Luso-Brasileiro de Direito, comandado pelo Instituto de Direito Público (IDP), do ministro Gilmar Mendes, e pelo professor Carlos Blanco, da Faculdade de Direito de Lisboa. O tema do seminário era Constituição e governança nos seus mais diversos aspectos.

O senhor disse que não pretende ser candidato a presidente da República. Mas, reza a lenda, candidatura presidencial não depende apenas de vontade pessoal. Se o partido disser que o nome é o senhor, como fazer?

O partido ainda não disse, então, não posso me manifestar sobre algo que não ocorreu. 2018 está distante ainda, a minha responsabilidade é ser administrador, gestor, fazer aquilo que devo fazer. Fui eleito prefeito da cidade de São Paulo, temos muitos problemas, muitas tarefas a serem cumpridas e muitas respostas a oferecer à população. É o que eu tenho feito. Trabalhado duramente. E fico feliz de ter uma boa avaliação evidentemente nesses primeiros 110 dias como prefeito da maior cidade brasileira, mas a maior contribuição que posso dar à democracia do meu país é continuar sendo um bom prefeito, trabalhar cada vez mais, com mais eficiência, mais transparência.

O senhor também disse que se pudesse influenciar no Congresso reduziria os impostos na área de medicamentos. Há quem diga que foi um ato falho de candidato a presidente da República, não é?

(Risos... ) Não, é um ato consciente, de um prefeito. Diante das doações que conseguimos de medicamentos, de laboratórios brasileiros e multinacionais, me vi diante de uma questão, 19% de imposto. Diante de uma doação obtida de R$ 126 milhões, como que eu posso imaginar que esses laboratórios têm que pagar mais de R$ 20 milhões de imposto sobre medicamentos que estão doando para a população pobre e necessitada da cidade? Evidente que é um critério injusto. Não é correto que se cobre imposto sobre doação de medicamentos. E a meu ver também, 19% sobre medicamentos é um acumulativo de impostos muito elevado. Medicamento é um bem necessário, ninguém toma medicamento pelo prazer de tomar. Toma porque precisa tomar. Entendo que a redução gradual sobre os impostos aplicados a medicamentos devesse ser algo a ser estudado pelo Congresso e pelo governo federal.

Entrando na questão da Lava-Jato, vários personagens do PSDB foram citados na delação da Odebrecht e responderão a processo. Como o senhor avalia essas citações?

Citação não é condenação. Todos aqueles que citados foram devem ser investigados e ter direito a plena e ampla defesa. Essa é a forma correta, seja qual for partido, posição, cargo, idade ou sexo. Deve responder e deve ter direito à ampla dessa. E aqueles que tiverem por circunstância a condenação da Justiça, devem cumpri-la. A Justiça é feita para todos, não para alguns.

Tucanos já disseram em Brasília que, no caso de Lula ser candidato, o senhor é o nome para concorrer com ele, porque tem feito um enfrentamento direto desde já. Nesse caso, o senhor abriria aí uma exceção nesse “não sou candidato”?

Não sou candidato. Sou prefeito. Além disso, como cidadão brasileiro, serei sempre opositor ao ex-presidente Lula. O ex-presidente Lula quase destruiu o Brasil. Então, é inadmissível um homem que quase destruiu a nação, que impôs o maior assalto ao dinheiro público jamais visto na história da humanidade, que ofereceu três anos de recessão, 13 milhões de desempregados, queira agora voltar a ser candidato e disputar sob a alegação de que é o salvador do Brasil. Salvar o quê? Salvar o Brasil daquilo que ele e o seu partido, o PT, na sua maioria, indignaram a nação, a população e a imagem do Brasil? Ora, que tenha o mínimo de consciência do mal que fez e do mal que vai responder. Nesse sentido, serei mais do que tudo um cidadão, um brasileiro. E vou usar toda a força da minha voz. Mesmo não sendo candidato, como não sou, não deixarei de usar a minha voz, a minha força, a minha credibilidade para impedir que isso volte a ocorrer e esse mal retorne ao Brasil.

Mesmo se não for candidato, o senhor se dispõe a correr o país numa cruzada anti-PT ou anti-Lula?

Ao lado de quem merecer a indicação, seja pelo PSDB ou por um conjunto de partidos que possam impedir que esse mal volte a ocorrer no Brasil, eu estarei disposto a qualquer sacrifício.

E em relação ao caixa 2 de campanha, um assunto que está em voga? O senhor é a favor da anistia?

Todo crime é crime. Não há crime para uns que não seja para outros. O que eu entendo é que o Tribunal Superior Eleitoral deve mudar o sistema. O sistema como está neste momento não é bom, não é adequado. Embora a intenção tenha sido boa, sobretudo na última mudança, até com ganhos qualitativos, mas não o suficiente para impedir a utilização do caixa dois em campanhas. Eu não usei como candidato a prefeito de São Paulo. Financiei a maior parte da minha própria campanha, mas entendo que isso também não é justo, não é correto. Eu pude, tinha e tenho recursos suficientes para fazê-lo. E quem não tem? Não terá direito a disputar e a concorrer ou terá que usar o caixa 2 para exercer esse direito? Já manifeste inclusive isso ao ministro Gilmar Mendes, o TSE deveria estudar uma fórmula para permitir doações de empresa privadas a campanhas políticas com limites de valores e com mecanismos de controle que, hoje, graças à internet, à maior eficiência da Receita Federal, do sistema bancário e dos controles do Banco Central, é perfeitamente possível de se fazer. Até o dia em que o Brasil, em condições financeiras adequadas, o governo, o poder público, possa financiar integralmente campanhas. Hoje, é impossível você imaginar, a cada dois anos, uma sangria de recursos para campanhas políticas de um país que deve para a educação, para a saúde, para a habitação popular, para transporte, para a assistência social. O senhor diz que não é político, mas faz todo um discurso político e obtém sucesso.

A que o senhor atribui esse sucesso, uma vez que seu discurso parece ser o mais político dos políticos? Como é que é isso?

Respondendo à primeira parte da pergunta, sendo gestor, administrador. O que fiz nesses 110 dias foi administrar a Prefeitura de São Paulo sem recursos, com um rombo de R$ 7,5 bilhões, e mesmo assim fiz. Realizei. Em vez de lançar a culpa sobre o meu antecessor, reclamar, chorar e dizer que, pela falta de recursos, nada podemos fazer, arregacei as mangas, montei uma boa equipe, um bom time, estabelecemos metas, princípios de trabalho, fomos buscar recursos no setor privado e de forma eficiente iniciamos uma gestão inovadora na cidade de São Paulo. Isso projetou nacionalmente. Ficou feliz pela projeção, pela aceitação e até pelo resultado das pesquisas, mesmo para alguém que, como eu, não é candidato, exceto a continuar sendo prefeito de São Paulo.

O senhor também mencionou que não é candidato à reeleição. Vai sugerir que acabe?

Quem tem que sugerir isso é o meu partido. Essa é a minha posição. Creio que não é a do meu partido, mas sou contra a reeleição. Sou a favor de um mandato de cinco anos sem direito à reeleição.

E isso tem chance de ser aprovado hoje?

Reforma política. Essa é a mãe de todas as reformas.

E a lista fechada?

Não sou a favor, porque ela não é representativa.

Fonte: Agencia Brasil
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