Lula: "Finança de campanhas não se discute com presidente da República. É com o tesoureiro"

O ex-presidente Lula rebateu na manhã desta terça-feira (25) o depoimento prestado ontem pelo casal de publicitários João Santana e Monica Moura, ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, em Salvador, quando disseram que financiamento da campanha de 2014 via caixa 2 chegou a ser tratado diretamente com Dilma Rousseff.

"Eu duvido que a Dilma tenha conversado sobre Caixa 2 com o João Santana ou quem quer que seja. Finança de campanhas não se discute com presidente da República. O presidente tem um tesoureiro, é ele quem cuida de finança", disse Lula, em entrevista a uma rádio do Rio Grande do Norte (confira a íntegra no vídeo acima).

Lula também disse não estar preocupado se o ex-ministro de seu governo e do governo Dilma, Antonio Palocci, que está preso no âmbito da Lava Jato, irá delatar. "Se ele vai fazer delação ou não, é decisão dele. Isso não me preocupa. O que me preocupa é ele estar preso há seis meses sem ter sido configurada nenhuma prova", criticou.

A respeito de seu depoimento ao juiz Sergio Moro, que deve acontecer no início de maio, Lula voltou a dizer que é o mais interessado na verdade e que são os investigadores que têm que apresentar provas contra ele. "Eu não tenho que levar nada. Quem tem que levar provas para me condenar são eles. Porque sem provas não se faz Justiça nesse país. Eu não sei se eles exageraram, qual é a dificuldade que eles estão tendo...", afirmou.

Ele fez críticas à forma como vêm sendo feitas as delações premiadas da Lava Jato, como a do ex-executivo da OAS, Léo Pinheiro, que mudou sua versão e passou a acusar Lula. "Todo dia prendem um empresário e o obrigam a dizer o nome do Lula. Esse Léo Pinheiro mesmo, enquanto não disse meu nome, não teve delação aceita", destacou. Lula criticou ainda a cobertura da imprensa: "Mentiram ao meu respeito há 3 anos e agora estão com dificuldades de provar todas as mentiras".

O ex-presidente voltou a condenar duramente as propostas do governo Temer, que retiram direitos trabalhistas históricos, como a Trabalhista, que deve ser votada nesta semana. "Eles não estão fazendo uma reforma, estão destruindo o que os trabalhadores conquistaram na última reforma. Está mais para uma bomba de Hiroshima", disse. Para Lula, a reforma não deve ser feita de cima pra baixo. "Eu fui líder sindical muito tempo, e nós nunca nos recusamos a discutir uma reforma trabalhista Mas tem que ser em igualdade de condição entre trabalhadores e empregadores".
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