Odebrecht pediu a Pastor Everaldo para ajudar Aécio em debate de 2014

Delator diz que Odebrecht avaliou que o candidato do PSC teria chances na corrida presidencial e repassou R$ 6 milhões à campanha dele.

Um dos delatores da Odebrecht falou sobre uma aposta eleitoral que o grupo fez em 2014.

Num determinado momento da campanha eleitoral de 2014, a Odebrecht avaliou que o candidato Pastor Everaldo, do PSC, teria chances na corrida presidencial.

"Ele veio crescendo nas pesquisas, chegou a ter quatro e meio, quase cinco por cento das intenções de voto e no final nós acabamos pagando algo aproximado de R$ 6 milhões", diz Fernando Reis.

Tudo mudou com a morte do candidato Eduardo Campos, do PSB

"Com o acidente do avião do ex-governador Eduardo Campos e com a Marina (Silva) vindo a ser candidata, toda a comunidade evangélica migrou do Pastor Everaldo, que ele era o único candidato, para Marina, e ele basicamente desapareceu nas pesquisas", afirmou o delator. Como o investimento já havia sido feito, o delator conta que a Odebrecht encontrou uma nova forma de compensar o dinheiro gasto: usar o pastor nos debates que faria na televisão. Fernando Reis contou em sua delação que foi a empreiteira quem orientou o discurso do candidato na entrevista que ele deu ao Jornal Nacional, no dia 19 de agosto de 2014.

"Pedimos, já que a gente estava fazendo aquela contribuição, para que o discurso dele fosse de fato um discurso pró-privado", conta Fernando Reis.

E ele falou sobre privatizações: "Eu vou te antecipar uma notícia aqui: eu vou privatizar a Petrobras."

"No encontro seguinte que eu tive com ele, ele disse que ia privatizar a Petrobras e tal, eu disse: 'Pastor, tô achando que o senhor exagerou um pouco'", lembra Fernando Reis.

No debate da TV Globo do dia 2 de outubro, a Odebrecht fez outra recomendação.

"Eu sugeri a ele que usasse o tempo do debate sempre para perguntar ao candidato Aécio, porque aí daria mais tempo ao Aécio para fazer perguntas", diz Fernando Reis

Bonner no debate: Agora, quem vai fazer a próxima pergunta é o Pastor Everaldo. E o tema, pastor, é previdência. A quem o senhor deseja fazer a sua pergunta?

O candidato escolheu Aécio Neves, mas perguntou sobre o Plano de Aceleração do Crescimento, de Dilma Rousseff, para permitir que Aécio pudesse criticar a principal adversária.

Pastor no debate: Mesmo sendo assunto da previdência, meu querido senador Aécio, eu queria falar de um assunto que tem incomodado o Brasil. O PAC só conseguiu realizar em torno de 30% do que foi programado. O PAC, eu pergunto, é um programa de atraso do crescimento ou um programa de aceleração da corrupção?

Aécio no debate: Candidato, o PAC é um conjunto de investimento do governo que deram a ele uma marca, um slogan... Infelizmente não deram a ele....

Bonner interrompe e diz: Vocês me permitam, esse bloco é de tema determinado por sorteio, previdência.

Aécio: Respondo ou não?

Bonner: Vamos começar de novo. O senhor pode fazer a pergunta, pastor, sobre previdência, em respeito às regras do debate.

Pastor Everaldo diz: senador, o que o senhor tem a me dizer sobre previdência no Brasil?

O delator admite que o investimento em Pastor Everaldo não rendeu.

"Sem dúvida nenhuma, apesar de que ele é uma pessoa simpática, agradável, mas enfim, uma avaliação nossa bastante equivocada, minha, nesse caso", diz Fernando Reis.

O pastor Everaldo negou que tenha atuado para atender pedidos da Odebrecht na entrevista e no debate da TV Globo de 2014. Ele negou também ter recebido qualquer doação ilegal.

Fonte: G1
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