Polvos de crochê ajudam a acalmar bebês prematuros

Pacientes de UTI Neonatal no Hospital São João de Deus recebem material feito de algodão. Pediatra explica sensações proporcionadas; projeto depende de doações.

Polvos feitos de crochê melhoram a vida de bebês prematuros na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São João de Deus (HSJD) em Divinópolis. Os objetos artesanais são inspirados em uma iniciativa adotada na Dinamarca e ajudam os recém-nascidos a se sentirem mais calmos, seguros e confortáveis durante o período de recuperação nas incubadoras. Essas sensações proporcionadas principalmente por meio do tato.

De acordo com o pediatra Júlio Veloso, pesquisadores dinamarqueses observaram que prematuros, ao ficarem próximos de polvos de crochês colocados em suas incubadoras, passavam a ter batimentos cardíacos mais regulares. A respiração melhorava e isso aumentava a oxigenação do sangue. Com tudo isso, os pequenos ganhavam peso mais rápido.

"Os motivos estão nos tentáculos, que funcionam como o cordão umbilical envolvendo os bebês e evitando choques nas paredes da incubadora. Além disso, o objeto dá mais conforto, diminui o stress e ajuda a evitar complicações como a perda de peso e alterações hemodinâmicas. Tudo isso permite que os bebês se desenvolvam melhor", explicou o médico.

Os estudos desenvolvidos no país europeu e colocados em prática no HSJD já comprovaram que os polvos também ajudam os bebês a sentirem menos falta das mães. Isso porque antes de nascerem, eles ficam envolvidos pelo cordão umbilical e se movendo. Depois que nascem, perdem esse substrato. Os tentáculos do polvo simulam o interior do útero da mãe.

Produção

A iniciativa chegou a Divinópolis por meio de funcionários do hospital que conheciam pessoas dispostas a desenvolver os polvos de crochê. Os voluntários se mobilizaram para implantar o projeto.

Os bonecos de crochê podem ser estilizados e têm várias cores. "O importante mesmo é a sensação de tato do bebê. A técnica é simples e com apenas um novelo de lã é possível fazer até três polvos. Mas, devido a cuidados dos quais os bebês necessitam, o material deve ser 100% de algodão e sua fabricação deve ser padronizada", acrescentou o médico.

A cabeça do boneco precisa ter de seis a nove centímetros. Os tentáculos devem ter no máximo 22 centímetros quando esticados.

Precedente

O pediatra lembra que o HSJD já utilizava um recurso parecido. Em vez de bonecos de crochê, usava meias cirúrgicas cheias de algodão. O objeto não pode ser reaproveitado - mesmo se for esterilizado. Por isso, a unidade precisa de doações constantes.

“É um objeto estilizado e que devido às normas do Centro de Controle da Vigilância Sanitária, não podem ser reaproveitados e são doados como lembranças à família que o utilizou. Por isso, é um projeto que requer a ajuda constante de doadores, para que um novo bebê também receba o tratamento alternativo”, detalhou o médico.

Quem quiser doar ao projeto deve entrar em contato com a UTI Neonatal do HSJD. Alguns hospitais municipais de Belo Horizonte e outras maternidades no Brasil também já implantaram a ideia. "Na Dinamarca, o projeto 'Octo' faz doações a 16 hospitais e tem pedidos para começar o programa em outros mais de 15. Holanda, Áustria e Estados Unidos também desenvolvem a técnica.

Fonte: G1
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