Por criar leis para combater a corrupção, Dilma suportou chantagens da Odebrecht e Cunha

Um trecho da recente entrevista concedida pelo presidente Michel Temer (PMDB) à TV Bandeirantes foi considerado pela defesa da petista como uma "confissão" de que a abertura do processo contra Dilma Rousseff (PT) se deu em razão de uma vingança do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ) pelo PT não ter lhe apoiado na votação do Conselho de Ética que cassou a mandato de Cunha.

No vídeo exibido no sábado (15/04), Temer fala de uma conversa com Eduardo Cunha, na qual o então presidente da Câmara disse que iria arquivar todos os pedidos de abertura de impeachment contra Dilma, isso porque os três deputados do PT lhe dariam voto favorável no Conselho de Ética, evitando a abertura de processo de cassação contra Eduardo Cunha.

Temer deixa claro que Dilma não sabia desse acordo, tanto que ele foi procurá-la para repassar a notícia, mas no dia seguinte, os petistas fecharam o voto contra Cunha e o combinado foi desfeito. "Ele (Cunha) me ligou dizendo, tudo aquilo que eu disse (que iria arquivar os pedidos de impeachment) não vale. Vou chamar a imprensa e dar início ao processo de impedimento. Então, veja que coisa curiosa: se o PT tivesse votado nele naquela comissão de ética, é muito provável que a senhora presidente continuasse", afirmou Temer.



No mesmo dia, sábado (15), o Estadão divulgou que o ex-diretor de Crédito à Exportação da Odebrecht Engenharia e Construção, João Nogueira, em depoimentos à Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que o ex-presidente da Odebrecht, enviou à presidente Dilma Rousseff, por meio do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), documentos que demonstravam o Caixa 2 em sua campanha de 2014. O objetivo seria demonstrar que à Dilma que ela não estava blindada contra a crise de corrupção que se instalou após a presidente resolver fortalecer as instituições e criar leis para prender corruptos e corruptores. A intenção de Marcelo era pressionar Dilma de forma que ela tomasse providências quanto ao avanço da Operação Lava Jato, coisa que Dilma não fez.

"O que o Marcelo disse foi que tinha passado uma mensagem à presidente Dilma, porque o Pimentel era muito próximo dela: a comprovação, por meio de documentos, de que contribuições com recursos não contabilizados tinham sido feitas à campanha", afirmou o colaborador, explicando que o chefe visava a "catalisar uma atitude" do governo. "Eram tempos já desesperadores", acrescentou.

O delator João Nogueira explicou que o recado foi levado a Dilma, conforme lhe teria dito o próprio Pimentel numa conversa posterior, também em Belo Horizonte. Mas Dilma não cedeu a chantagem e teria pedido a Giles Azevedo, um de seus auxiliares mais próximos, para ficar "em cima do tema contribuições". O delator não soube informar sobre eventuais providências do governo, após o a chantagem de Marcelo Odebrecht.

Cada vez mais fica claro que Dilma Rousseff foi vítima de um golpe e retaliações por ter combatido a corrupção na Petrobrás, por ter criado a Delação Premiada, Acordo de Leniência e por ter pedido a criminalização do Caixa 2.
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