Juiz que suspendeu Instituto Lula foi citado em delação da JBS

O juiz substituto que determinou o fechamento do Instituto Lula, Ricardo Soares Leite, foi citado nas delações da JBS. O advogado brasiliense Willer Tomaz prometeu influências no Ministério Público Federal e também na primeira instância da Justiça Federal em troca de um contrato de R$ 8 milhões com a JBS. Na vara 10a Vara Federal tramitam processos relativos à Operação Greenfield, ligada ao grupo JBS.

A informação foi divulgada em reportagem de Helena Mader e Ana Viriato, do Correio Braziliense.

No entanto, a ligação do advogado com o juiz e com a Procuradoria poderia ser útil para a defesa da Eldorado, uma das empresas da holding JBS. Segundo a delação de Joesley Batista, porém, Willer “deixou claro que não havia propina, apenas amizade e proximidade com o juiz”. Em seguida, Willer providenciou um jantar entre Joesley Batista e o juiz. O contrato previa a remuneração de R$ 4 milhões por honorários iniciais e R$ 4 milhões por êxito, ou seja, o arquivamento do inquérito.

Willer afirmou ao advogado da JBS conhecer um dos procuradores indicados para a Operação Greenfield: Ângelo Goulart Vilella. Semanas depois, a informação seria confirmada oficialmente. Willer prometeu ao procurador uma "ajuda de custo" de R$ 50 mil.

JBS pagou honorários

O presidente da OAB-DF, Juliano Costa Couto, teria participado de um encontro, em 14 ou 15 de fevereiro, com Joesley e Willer. Novamente, o assunto "relacionamento entre Tomaz e o juiz é mencionado". O advogado foi contratado e passou a despachar o caso com o juiz. O presidente da OAB-DF nega o recebimento de qualquer valor.

Em nota, a 10ª Vara Federal esclareceu que, por conta de sua especialização, lá tramitam mais de 20 grandes operações criminais, como a Lava-Jato, Greenfield, Perfídia, Zelotes, Acrônimo e Abate. Segundo informações da assessoria de imprensa, esse trabalho resultou “na média de uma deflagração por semana, para as quais os magistrados decretaram várias prisões e autorizaram busca e apreensão, condução coercitiva e quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático em desfavor de centenas de pessoas físicas e jurídicas”.

Dessa forma, mostram-se infundadas quaisquer declarações do investigado Joesley Batista sobre eventual interferência na condução das investigações no âmbito da Justiça Federal de Brasília, que prejudique o andamento dos processos ou influencie a independência dos magistrados que atuam na 10ª Vara”.
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