Ceará: Camilo anuncia incentivos para empresas que se instalarem no entorno dos presídios

Objetivo do governador é que tais organizações aproveitem a mão de obra carcerária, contribuindo para a inclusão dos detentos.

O governador Camilo Santana anunciou, nesta terça-feira (20), em entrevista ao Diário do Nordeste, que enviou um projeto para a Assembleia Legislativa (AL/CE) que visa a criação de uma área de incentivo para instalação de empresas no entorno do complexo penitenciário de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, para gerar emprego e renda para a população carcerária.

No projeto, que ainda não chegou à AL, empresas que se instalarem na região terão incentivos fiscais. A intenção é que o detento das unidades prisionais trabalhe durante em um período e em outro cumpra a pena recluso no complexo prisional. Para Camilo, além de proporcionar a inclusão da pessoa privada de liberdade, ajudará na geração de renda para o próprio detento.

“Vai ser uma oportunidade que nós vamos dar para o setor produtivo, que vai ter um diferencial, porque vai se localizar lá e vai aproveitar a mão de obra. Nós precisamos ocupar essa população. Nós temos uma área muito extensa no entorno e a ideia é que a empresa se instale vizinho ao sistema”, explicou o chefe do Executivo.

Com cerca de 26 mil pessoas, a população carcerária do Ceará é equivalente a sete vezes a população de Guaramiranga, por exemplo. Para o governador, entre os motivos da superlotação está a demora no julgamento dos processos, o que acaba deixando um grande número de pessoas do regime semiaberto nas prisões.

Além de possibilitar a empregabilidade dos detentos, a criação da área para empresas pode ajudar na diminuição da fuga de presos. Nas últimas semanas, somente nas prisões de Itaitinga foram registradas seis, além da descoberta de túneis.

“É preciso trabalhar com inteligência, pois muitas vezes a polícia prende muito. Quando você aumenta a presença policial, ai você cria um efeito lá no sistema prisional. Hoje nós estamos com 26 mil presos. É importante entender que o Estado apenas guarda o preso, quem tem a responsabilidade de prender e soltar o preso é a Justiça. Aí onde eu falo da integração do sistema. O Judiciário tem um papel muito grande na segurança”, comentou Camilo.

Tráfico e facções

Camilo salientou que o tráfico de drogas tomou grande dimensão no Estado, principalmente pela proximidade da Europa, o que permite a internacionalização do crime. Para ele, drogas e armas que aqui são comercializadas vêm de fora do País e conta com a ajuda dos integrantes de facções.

“Eu sempre repito, o Brasil não produz droga, não fabrica armas pesadas, essas armas e drogas entram no nosso País pelas fronteiras e a responsabilidade é da União. Há uma lacuna muita forte nesse processo. Não estamos fazendo crítica ao Governo, nós não temos uma política de segurança pública e isso precisa ser liderado pela União, porque o Estado, sozinho, não tem força para isso”, diz Santana.

O governador reforçou ainda que o Estado tem buscado esforços para conter a violência no Ceará por meio do reforço policial e estratégias de inteligência. Além disso, ele prometeu, até o fim da gestão, disponibilizar uma arma para cada Policial Militar, o que hoje não ainda foi possível.

Impunidade

Para o gestor, há uma sensação de impunidade muito grande. Não somente no Ceará, mas também em todo o Brasil, pois muitas vezes o acusado comete um crime sabendo que não será preso.

“O criminoso hoje mata, assalta e acha que não vai dar em nada. A média de um julgamento hoje é muito longa, em média 7 anos, mas tem processos que duram 20, 30 anos”, diz Camilo Santana.

Conforme o governador, é preciso trabalhar de forma mais eficiente e integrada, para que cada setor faça melhor sua parte. “Você não pode comparar uma pessoa que rouba um desodorante com uma pessoa que mata, e muitas vezes você os coloca no mesmo local, e, quem é que tem que separar, é a Justiça, não é papel do Estado”, finaliza.


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Fonte: DN
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