Operação apreende R$ 135 mil em fundo falso na casa de padre

Ministério Público suspeita de prejuízo de até R$ 3 milhões na Igreja Católica de Goiás.

O Ministério Público de Goiás suspeita que a quadrilha que desviava recursos da Igreja Católica de Formosa (GO) deu um prejuízo entre R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões em um período de três anos. Na Operação Caifás, que resultou na prisão do bispo de Formosa, Dom José Ronaldo, e quatro padres, também foram apreendidos R$ 135 mil em um fundo falso do guarda-roupa casa do monsenhor Epitásio Cardozo, além de valores em dólar, euro e peso.

O grupo é acusado de desviar dízimos, doações, taxas de batismo e casamento das paróquias da região. O MP já tem provas robustas, inclusive com escutas telefônicas autorizada pela Justiça, que o grupo comprou uma Casa Lotérica. Há também suspeita da compra de uma fazenda. Entre os presos no esquema estão os padres Mário Vieira de Brito, Moacyr Santana, e o secretário Guilherme Frederico Magalhães.

A investigação teve início no final do ano passado quando um grupo de fiéis suspeitou da falta de transparência da Diocese de Formosa nos gastos com os recursos repassados. Os próprios padres da região começaram a perceber o problema. No entanto, os párocos ouvidos contaram que foram ameaçados de retaliação, transferências e até mesmo perda de ministério. A Diocese reúne 33 paróquias em 20 municípios do interior de Goiás

O promotor Douglas Chegury, um dos responsáveis pela operação, afirma que a Igreja Católica está sendo tratada como vítima. Testemunhas relataram que houve uma reunião onde foi exigido dos padres um juramento de fidelidade ao bispo.

— É inusitado. A Igreja é mais uma vítima desde esquema. Foram pessoas que por circunstância representavam a Igreja, as pessoas tinham fé nelas, e eles traíram esses fieis, traíram a Igreja e seus juramentos. Nós estamos compartilhando todas as informações com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Segundo o promotor, grupo investigado praticou diversos crimes ao longo dos três últimos anos, desde que assumiu a administração da Diocese. O esquema era feito por meio de vários “braços". O bispo fazia transferências bancárias da Cúria para conta pessoal e também recebia dinheiro em espécie. De acordo com as investigações, o padre Tiago Wenceslau foi chamado para “ apagar o incêndio” e acobertar as condutas ilícitas.

— Como esse desvio estava atingindo uma soma vultosa e já havia denúncia, o bispo convocou um juiz eclesiástico para intimidar os demais padres. Eles elaboraram um pseudo relatório contábil. Mas temos provas robustas dos crimes — afirmou o promotor.

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Na casa do monsenhor Epitásio Cardozo, o segundo da hierarquia da Cúria, além dos R$ 135 mil, foram encontrados valores em euro, dólar e peso. Até o momento, não foi divulgado valor total das moedas estrangeiras.

Na decisão que determinou a prisão temporária do grupo, o juiz Fernando Oliveira Samuel reconhece a existência de crime de associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica. Há indícios também de que o dinheiro era usado para bancar despesas pessoais e que carros da Diosece.

Procurada, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) informou que ainda está avaliando o caso e aguarda um posicionamento de sua assessoria jurídica.

Fonte: O Globo
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