Análise: Como Barbosa e Meirelles reconfiguram a corrida eleitoral

Ex-ministro do STF é capaz de ‘roubar’ votos dos candidatos; titular da Fazenda começa a formatar seu discurso.

No sprint final da corrida rumo às filiações partidárias, dois episódios impactantes se confirmaram na terça-feira: a ida de Joaquim Barbosa para o PSB e a de Henrique Meirelles para o PMDB. Cada um a seu modo, Joaquim e Meirelles chacoalham o tabuleiro eleitoral. O primeiro, se não for capaz de emplacar, pode atrapalhar a vida dos que correm com estruturas mais consolidadas que a sua, de partido pequeno. O segundo começa nanico, mas conta com a pujança da máquina pública e com engrenagem e fundos do partido mais capilarizado e estruturado nacionalmente.

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal é o fato novo capaz de “roubar” votos de todos os pleiteantes que já se colocaram no jogo. De origem semelhante à de Lula, Joaquim superou as agruras da vida e venceu. Primeiro negro a assumir uma cadeira na Suprema Corte, ele a presidiu, e como relator do mensalão, condenou 24 réus, inclusive petistas de alta patente. Nesse sentido, pode atrair ao mesmo tempo eleitores de Lula e antipetistas, e ainda levar de lambuja votos de Bolsonaro ao personificar o outsider e o justiceiro.

Dono de 1% das intenções de voto, Meirelles começa a encampar o discurso duplo de homem que veio de baixo e se tornou bem sucedido, e de ter, à frente do Ministério da Fazenda, capitaneado uma recuperação econômica. No PMDB, terá de conquistar uma fila de caciques. No entanto, a sorte parece ter sorrido para o economista nos últimos dias. A Operação Skala prendeu amigos íntimos de Michel Temer, que, empolgado com a possibilidade de ser ele próprio candidato à reeleição, seria seu maior rival interno. Agora, nem dentro do partido há quem leve a sério a pretensão do presidente.

Fonte: O Globo
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