Após supostos ataques químicos, Trump ordena bombardeio contra Síria

Em pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que as forças armadas dos Estados Unidos vão atacar "alvos associados com estabelecimentos de armas químicas".

Em pronunciamento na noite desta sexta-feira, 13, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou um ataque militar na Síria em resposta ao suposto uso de armas químicas pelo exército local. Os aviões norte-americanos estão saindo de um base naval no Chipre em direção aos alvos na Síria.

Nas últimas 24 horas, aviões dos Estados Unidos estavam sobrevoando bases navais da Rússia próximas à Síria.

Segundo o presidente, os ataques com armas, proibidas por consenso na Organização das Nações Unidas, na cidade de Duma, foram "ações de um montro", se referindo ao ditador sírio Bashar al-Assad.

"Ordenei as forças armadas dos Estados Unidos a lançar ataques precisos em alvos associados com estabelecimentos de armas químicas do ditador sírio Bashar al-Assad", diz Trump.

Enquanto o presidente anunciava os ataques, várias explosões foram ouvidas na capital da Síria, Damasco, segundo um correspondente da AFP.

A TV estatal síria também reportou os ataques americanos e a defesa antiaérea entrou em ação contra a "agressão" americana.

Instantes depois de ordenar o ataque, Trump responsabilizou Rússia e Irã "por apoiar, equipar e financiar o regime criminoso" da Síria.

Por isso, acrescentou, a Rússia "descumpriu suas promessas" de impedir que o governo de Assad use armas químicas.

Em Londres, a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que não havia "alternativa prática" ao uso da força na Síria, ao anunciar que o Reino Unido se uniu à França e aos Estados Unidos para lançar ataques contra a Síria.

"Esta noite autorizei as Forças Armadas britânicas a realizar bombardeios coordenados e dirigidos para degradar as capacidades de armas químicas do regime e impedir seu uso".

Em Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou que a França participou da operação conjunta, destacando que os bombardeios estavam "circunscritos às capacidades do regime que permitem a produção e o uso de armas químicas".

"Não podemos tolerar a banalização do uso de armas químicas", explicou o presidente em um comunicado.

Momentos antes do pronunciamento à Nação de Trump, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, que está em Lima participando da Cúpula das Américas, deixou repentinamente um banquete sem dar explicações e retornou ao hotel onde está hospedado, segundo jornalistas que o acompanham na viagem.

Mais cedo, a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, anunciou que os Estados Unidos tinham provas de que Assad havia de fato lançado o ataque com armas químicas na região de Duma.

"Não direi quando tivemos a prova. O ataque ocorreu no sábado e sabemos que foi um ataque químico", disse Nauert à imprensa, em Washington, acrescentando que apenas alguns poucos países, como a Síria, tinham "esse tipo de armas".

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, afirmou que a Rússia também era responsável pelo ocorrido porque "fracassou em impedir que ocorresse um ataque com armas químicas".

O presidente americano manteve seguidas reuniões de consulta nos últimos dias com seus conselheiros militares e aliados no exterior para definir uma reposta às denúncias de ataque químico.

No Conselho de Segurança da ONU, António Guterres, fez também nesta sexta-feira um apelo dramático a agir com "responsabilidade" para evitar uma "escalada militar total" na Síria.

O suposto ataque com gás tóxico teria acontecido no último dia 7. Somente França, Reino Unido e os próprios norte-americanos confirmam o ataque, com base em imagens e vídeos que, supostamente, seriam da cidade síria de Duma. Rússia, Irã e Síria negam o acontecimento.

As tensões ficaram abaladas entre norte-americanos e russos após o dia do suposto ataque. Trump já prometia um bombardeio à Síria há alguns dias e retaliações à Rússia, que o ferece apoio militar ao ditador Assad.

"A resposta combinada americana, britânica e francesa que responde a essas atrocidades integrará todos os instrumentos do nosso poder nacional: militar, econômico e diplomático", afirmou o presidente norte-americano.

Em discursos na ONU, norte-americanos acusavam o exército sírio de usar as armas químicas contra a própria população e os russos de oferecerem apoio. Diplomatas da Rússia e o governo sírio disseram que estão dispostos a receber e facilitar uma visita segura de investigadores da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) para estudar as denúncias.

Último ataque dos EUA na região

Em abril de 2017, em uma reação parecida a ataques químicos do exército de Assad, que havia deixado 86 mortos, forças norte-americanas lançaram 59 mísseis Tomahawk contra uma base aérea próxima a cidade Homs.

Fonte: O POVO
Compartilhar no G+