Mudança de nome do Açude Castanhão depende do Senado


Apesar de pouco usado, o nome oficial do açude Castanhão é Padre Cícero. A proposta de rebatismo para Açude Paes de Andrade foi aprovada na Câmara e agora tramita no Senado.

Ex-presidente da Câmara, Antonio Paes de Andrade é o homenageado, pela contribuição dada à história do Castanhão: foi ele quem sancionou a construção do reservatório, quando estava no exercício da Presidência da República, em 1995.

A aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados se deu no último dia 14, em caráter conclusivo - ou seja, não precisou ser votado no Plenário. O Projeto de Lei 1987/2015 tem autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE).

A matéria foi apensada e aprovada junto com outro projeto de lei, apresentado também em 2015, pelo deputado federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), cujo teor é o mesmo. “Advogado de formação, tinha a política no sangue. Foi um grande e aguerrido combatente das causas democráticas”, justificou o deputado, no projeto.

Já o nome de Padre Cícero fora dado em 2001, por meio de projeto do então senador Lúcio Alcântara (PSDB).

Açude

Márlio Falcão, engenheiro agrônomo especialista em toponímia urbana, defende que os nomes "devem ser preservados, se caem no domínio público; salvo quando haja duplicação".

Não é o caso do Castanhão, de acordo com Domingos Neto. “Quando fui propor a ‘mudança’, ninguém sabia que o nome oficial era Padre Cícero. Eu não sabia. Você sabia?”, questionou ao repórter.

“Fiz a proposição de imediato, um dia depois da morte de Paes de Andrade (17 de junho de 2015). Três anos se passaram e, só agora, depois da aprovação, pediram para eu retirar o projeto. Todos nós sabemos da importância e representatividade do Padre Cícero para o Ceará. Não propus pensando em mudança, mas em homenagem a Paes de Andrade, que teve participação decisiva na construção do açude”, pontuou o deputado ao O POVO Online.

Ele defendeu ainda a importância do Castanhão para “resolver” o problema de abastecimento hídrico, sendo o principal reservatório do Estado desde 2002. “Imagine o que estaríamos sofrendo sem o açude, primordialmente a Região Metropolitana de Fortaleza, após seis anos de seca no Ceará”, frisou.

Historiador especialista na vida e legado de Padre Cícero, Daniel Walker reconhece que o nome mais popular para se referir ao reservatório é “Castanhão”. “Eu vejo na imprensa ‘Açude Padre Cícero, mais conhecido como Castanhão’. Então, a denominação popular, mais antiga, termina sempre ofuscando as novas. Se uma coisa é mais conhecida pela denominação popular, consagrada, não adianta por outro nome”, opina.

Contra

Em sessão no último dia 19, na Assembleia Legislativa do Estado, o deputado Ely Aguiar (PSDC) criticou a mudança, uma vez que ela "não reconhece aquilo que já foi feito pelo Padre Cícero na região".

"Paes de Andrade merece todas as homenagens, um homem de conduta ilibada, que merece ser imortalizado no Estado pelo que fez, mas que se coloque o seu nome em outro equipamento", alegou.

Ele apresentou requerimento na Assembleia para que seja enviado ofício contra mudança ao senador Eunício Oliveira (MDB), presidente do Congresso, que é genro de Paes de Andrade.

O POVO Online entrou em contato com a assessoria da Presidência do Senado, por telefone e email, nesta sexta-feira, 29, e aguarda resposta sobre a tramitação na Casa.

Fonte: O POVO
Compartilhar no G+