Renovação no Senado varre antigos medalhões

Valdir Raupp (MDB-RO), Romero Jucá (MDB-RR) e Eunício Oliveira (MDB-CE) não conseguiram a reeleição Foto: Agência O Globo

Presidente Eunício Oliveira e nomes que integravam a cúpula estão fora da próxima legislatura.

Os novatos vão dominar o Senado na próxima legislatura. Contrariando as pesquisas de intenção de votos, a eleição para renovação do mandato de 54 senadores, marcada pela Operação Lava-Jato, retirou da Casa grandes medalhões dos partidos tradicionais que tentaram se reeleger, incluindo o presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE). Rostos como Leila do Vôlei (PSB-DF), Capitão Styvenson (Rede-RN), Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e Mara Gabrilli (PSDB-SP) vão dar lugar aos de caciques banidos pelas urnas.

Saíram derrotados nomes que integravam a cúpula do Senado, como o ex-presidente do MDB Valdir Raupp (RO); o vice-presidente da Casa, Cássio Cunha Lima (PB); o ex-vice-presidente da Casa Jorge Viana (PT-AC); o líder do PT Lindbergh Farias (RJ); Magno Malta (PR-ES), braço direito e quase vice de Jair Bolsonaro; o ex-presidente do Senado Edison Lobão (MDB) e João Alberto (MDB), do grupo de José Sarney no Maranhão; assim como o ex-governador do Paraná Roberto Requião (MDB) que tinha o apoio do PT no Paraná; o ex-líder do PSDB Paulo Bauer (SC) e Cristovam Buarque (PPS-DF), candidato derrotado à Presidência da República em 2006.

Outra surpresa foi a boa performance dos candidatos ao Senado da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, cuja bancada crescerá de um para cinco senadores e deverá ter uma forte atuação de oposição no Senado. Se antes a única certeza era a reeleição de Randolfe Rodrigues (AP), a Rede também conseguiu a eleição de Fabiano Contarato (ES), Alessandro Vieira (SE), Capitão Styvenson (RN), e a volta do ex-senador Flávio Arns (PR), que ocupa a vaga quase garantida de Roberto Requião (MDB).

Dos caciques da velha política, um dos sobreviventes é o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que brigará para presidir o Senado novamente. Desgastados pela Lava-jato, o ex-presidente do PSDB, Aécio Neves (PSDB-MG) e a presidente do PT, Gleisi Hoffman (PT-PR), buscaram mandatos na Câmara Federal.

Igualmente inesperada foi a derrota do presidente Eunício Oliveira, que fez uma aliança informal com o PT do governador Camilo Santana, mas foi isolado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes, do PDT. Cid que foi eleito para o Senado, passou a apoiar o empresário Eduardo Girão (PROS).

— Fiz campanha solitário. Não sou aliado do PT nem do PDT. Enfrentei um candidato a presidente, Ciro, contrário a mim, e o irmão candidato a senador, Cid, que descarregou votos num tal de Girão para me derrotar. Minha aliança terminou sendo só com o povo — lamentou Eunício Oliveira.

Desfalque feminino

A bancada feminina ficará desfalcada das lideranças Marta Suplicy (MDB-SP), que não disputou a reeleição, Vanessa Graziottin (PcdoB-AM), Lúcia Vânia (PSB-GO), Lídice da Mata (PSB-BA) e das senadoras Ana Amélia (PP-RS), que tinha reeleição garantida, mas foi candidata a vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), e Kátia Abreu (PDT), vice derrotada na chapa de Ciro Gomes.

A bancada do PT cai de 12 para seis, perde a metade de seus representantes no Senado. Com o pior resultado na história do PSDB, o mau resultado do ex-governador Geraldo Alckmin, se refletiu na votação dos candidatos do partido ao Senado. A bancada do PSDB no Senado cai de 12 para oito senadores.

Fonte: O GLOBO
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