Ciro diz que "PT já foi" e que é questão moral Bolsonaro esclarecer caso Queiroz


O ex-presidenciável se coloca como uma das principais lideranças de oposição ao Governo do presidente eleito

Em entrevista ao jornal El País, publicada nesta segunda-feira, 7, Ciro Gomes (PDT) disse que o “PT já foi”. O ex-presidenciável se coloca como uma das principais lideranças de oposição ao Governo de Jair Bolsonaro (PSL) e se denomina como um parlamentar pós-PT. Além disso, ele afirmou que é questão de "moral" e "decência” que o presidente eleito esclareça o caso de Fabrício Queiroz.

“Agora eles encontraram alguém que tenha coragem de encará-los", disse o primeiro vice-presidente do PDT à reportagem, em relação ao partido petista. A entrevista foi concedida na última sexta-feira, 4, no apartamento do parlamentar na Praia de Iracema, na Capital.

PDT, PSB e PCdoB montaram um bloco de oposição na Câmara ao atual Governo, sem a presença da sigla do ex-presidente Lula. O bloco elegeu 69 deputados nas eleições de 2018. No entanto, os líderes dos três partidos na Casa destacam que a aliança está aberta para "aqueles que eventualmente queiram se reunir".

Ciro Gomes ressaltou que poderia aceitar participação do PT na oposição a Bolsonaro. "Nosso inimigo não é o PT", ressaltou o parlamentar, acrescentando que é necessário dar ao jovem brasileiro uma plataforma em que não seja preciso um "salvador da pátria, guru ou líder carismático". Ele disse que fez parte do primeiro mandato do ex-presidente Lula, mas quando o partido começou a errar, ele não aceitou mais ser ministro.

Sobre as eleições deste ano, o ex-presidenciável afirmou que votou em Haddad, mas que jamais voltaria a fazer campanha com o PT. “De lá pra cá eles se corromperam. Essa é a triste, dura e sofrida realidade. Apodreceram. Tomaram gosto pelas benesses do poder”, disse ao El País.

Terceiro colocado na corrida ao Palácio do Planalto com 13.344.371 votos, o ex-ministro da Integração Nacional no Governo Lula disse que o atual presidente deve esclarecer as movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

“Se Bolsonaro emprestou dinheiro ao tal Queiroz, cadê o cheque? Que dia foi? Essa foi uma nova operação Uruguai como a do Collor? Foi antes ou depois do escândalo, para tentar cobrir o episódio? Se foi um empréstimo, de onde saiu o dinheiro do Bolsonaro para emprestar?”, questionou Ciro.

O ex-governador do Ceará disse que Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, a quem chama de “juiz exibicionista”, está “obrigado” a esclarecer o assunto aos brasileiros. Ele disse ainda que daqui a uns 100 dias vai começar a fazer cobranças ao Governo de Bolsonaro e este papel lhe foi dado pela nação brasileira.

Redação O POVO Online
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