Justiça decreta prisão de suspeitos da construção e venda de prédios na Muzema

Da esquerda para a direita: Renato Ribeiro, Rafael Gomes da Costa e José Bezerra de Lira, o Zé do Rolo, procurados pela Justiça — Foto: Reprodução
Da esquerda para a direita: Renato Ribeiro, Rafael Gomes da Costa e José Bezerra de Lira, o Zé do Rolo, procurados pela Justiça — Foto: Reprodução

Bombeiros entraram nesta sexta-feira (19) no oitavo dia de buscas por vítimas nos escombros. O número de mortos chegou a 20. Três pessoas são consideradas desaparecidas.

A Justiça decretou a prisão temporária de três investigados no desabamento de dois prédios na comunidade da Muzema, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. José Bezerra de Lima, o ‘Zé do Rolo’, Renato Siqueira Ribeiro e Rafael Gomes da Costa tiveram a prisão decretada. Eles são suspeitos de construir e vender os apartamentos dos prédios que desabaram.

O pedido de prisão foi feito ao plantão judiciário, que aceitou. Segundo a delegada titular da 16ªDP (Barra da Tijuca), não há dúvidas de que eles são responsáveis pelos prédios irregulares.

Segundo Belém, os três já podem ser considerados foragidos. Ela afirmou ainda que equipes estão na rua buscando prender os três suspeitos. Ela pede a ajuda da população caso tenha algum tipo de informação que possa levar a eles.

Mudança na tipificação

Ainda de acordo com a delegada, a ocorrência foi tipificada como desabamento com morte, mas através dos depoimentos, passou a ser definido como homicídio doloso eventual. “A gente entende que aquele que constrói um prédio daquela forma, naquelas circunstâncias, assume o risco pela morte daquelas pessoas", contou.

Dois prédios na comunidade da Muzema desabaram no dia 12 de abril. Os bombeiros entraram nesta sexta-feira (19) no oitavo dia de buscas por vítimas nos escombros. O número de mortos chegou a 20. Três pessoas são consideradas desaparecidas.

Moradores sofrem com falta de infraestrutura

Uma semana após o desabamento, moradores da comunidade vivem entre o silêncio decretado por milicianos e a busca pelo mínimo de cidadania. Eles reivindicam serviços básicos para a região - alguns interrompidos desde antes dos desabamentos dos prédios, durante as chuvas que já tinham causados 10 mortes na cidade.

"Tem pessoas que não saem de casa, estão ilhados e não têm nenhuma assistência. Se não tivesse tido a tragédia, talvez isso tivesse passado despercebido", avalia Bruno Rodrigues, de 29 anos.

Bruno é sobrinho de Cláudio Rodrigues, a 1ª vítima identificada no desastre que, até a última atualização do Corpo de Bombeiros, havia deixado 20 mortos.

O tio de Bruno, que também era vice-presidente da Associação de Moradores e Amigos da Muzema, vivia num dos prédios com a mulher Adilma e a filha Clara, de 10 anos. Ambas sobreviveram ao desabamento.

Fonte: G1
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