Arma usada na morte de empresária cearense tem DNA da vítima apenas na ponta do cano

O advogado Aldemir Pessoa Júnior é suspeito de matar a namorada, Jamile Correia. A polícia também trabalha com a hipótese de suicídio da empresária. — Foto: Arquivo pessoal

Material genético do namorado, suspeito de homicídio, foi achado na parte lateral da arma. Namorado aponta que ela cometeu suicídio e é investigado como autor de homicídio.

A arma que disparou o tiro que matou a empresária cearense Jamile de Oliveira Correia tem material genético do suspeito de feminicídio, Aldemir Pessoa Júnior e de Jamile conforme o laudo da análise dos DNA ao qual o G1 e a TV Verdes Mares tiveram acesso nesta sexta-feira (27), cinco dias antes do prazo final para o inquérito ser concluído

O documento mostra que foi encontrado DNA de Jamile apenas na extremidade do cano da pistola calibre 380. Já no ferrolho, parte lateral da arma, foi achado material genético de Aldemir. A pistola tem ainda DNA do policial civil que apreendeu o objeto.

"No material extraído da extremidade do cano foi obtido um perfil genético oriundo de indivíduo do sexo feminino... que apresentam correspondência com aqueles identificados na amostra do projétil retirado do corpo de Jamile de Oliveira Correia no exame cadavérico... indicando que as referidas amostras foram produzidas por um mesmo indivíduo", registra o laudo.




Jamile foi baleada no fim da noite do último dia 29 de agosto, enquanto estava dentro do apartamento dela, em um prédio de luxo em Fortaleza. Jamile havia assinado uma procuração que dava direito ao namorado de administrar a herança do marido dela que havia falecido.

Na madrugada do dia 30, a mulher foi socorrida pelo seu filho de 14 anos junto a Aldemir e levada ao Instituto Doutor José Frota (IJF), onde faleceu na manhã do dia 31. Imagens de câmera de segurança mostram o momento em que ela é levada no elevador do condomínio onde morava.

O caso foi considerado como suicídio até que chegasse ao conhecimento da Polícia Civil do Ceará. Para as autoridades, há indícios que Aldemir Pessoa Júnior, advogado e namorado de Jamile, tenha a assassinado.

Descrição



O cano é a parte da arma de onde sai o disparo. Com as as demais partes do objeto Jamile não teve contato, conforme aponta o laudo. Já no material extraído da "parte serrilhada do ferrolho" foi obtida uma mistura de material do inspetor e, segundo cálculos estatísticos, também do Aldemir.

O laudo ainda aponta que em nenhuma parte da pistola foi verificado DNA do filho adolescente. A perícia realizada no gatilho não obteve nenhum "perfil genético autossômico", reiterando algo que a investigação já havia apontado: alguém limpou vestígios que estavam no gatilho e no cão (parte usada para engatilhar) antes de a arma ser apreendida pelas autoridades.

O documento destaca que toda esta perícia aconteceu a partir das amostras recolhidas na arma de fogo da pistola e projétil retirado do corpo de Jamile de Oliveira Correia. O DNA de Aldemir, do adolescente e do inspetor da Polícia Civil foram coletados por meio de "swabs orais". A amostra do investigador foi considerada como de exclusão, "pois o mesmo manuseou a arma de fogo" devido à investigação.

Mudança no depoimento



Na primeira versão concedida à Polícia Civil, o filho da empresária havia dito que ele e Aldemir tentaram intervir no suicídio. O adolescente contou para as autoridades que os dois entraram no closet e avistaram a mulher já tentando se matar. Para tentar intervir, o adolescente teria batido na arma já encostada no peito da mãe, fazendo com que ela disparasse acidentalmente.

Em um novo depoimento do menino, ele contou que mentiu na primeira versão, porque foi induzido por Aldemir a falar aquela versão específica. Agora, o adolescente afirma que sequer chegou a encostar na arma e, quando entrou no closet da mãe, ela e Aldemir protagonizavam uma luta corporal pelo objeto, sem que ele tivesse conseguido visualizar quem segurava a pistola.

A porta do closet onde Jamile se trancou foi arrombada, conforme imagem obtida pelo G1 e TV Verdes Mares.

Nos autos consta que Aldemir Pessoa Júnior deixou que seu material genético fosse recolhido por livre espontânea vontade, já destacando que seria provável a perícia encontrar o DNA dele, porque a arma era de sua propriedade. Em entrevista ao G1 no fim de semana, o suspeito afirmou que não houve crime, e tudo se tratou de um suicídio. O advogado ainda afirmou que: "não existe por que eu limpar a arma. A arma era minha".

Fonte: G1 Ceará
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