Familiares homenageiam e pedem justiça por morte de Jamile, empresária atingida por tiro em Fortaleza

Familiares e amigos se reúnem em missa em homenagem à empresária Jamile Correia. — Foto: Emanoela Campelo de Melo/Sistema Verdes Mares

Irmã e amigas da vítima não acreditam na versão do suicídio e a descrevem como uma pessoa "altamente feliz".

Familiares e amigos da empresária Jamile de Oliveira Correia, morta por um tiro em sua residência, se reuniram para homenageá-la em uma missa na Capela Santa Filomena, em Fortaleza, no fim da tarde desta quarta-feira (18). De lá, o grupo realizou uma caminhada até o condomínio onde Jamile morava, e onde ocorreu o caso, no Bairro Meireles.

Jamile foi atingida por um tiro no peito na noite de 29 de agosto deste ano, e morreu no hospital Instituto Dr. José Frota (IJF), no dia 31. O caso foi inicialmente tratado como suicídio, mas vídeos de câmeras de segurança do prédio onde a empresária morava levantaram a suspeita de que o namorado da vítima, o advogado Aldemir Pessoa Júnior, tenha cometido feminicídio. As imagens mostram Aldemir carregando o corpo dela baleado no elevador do edifício, junto ao filho adolescente da mulher. O advogado afirma que não houve assassinato. (veja vídeo abaixo)

Gritos de Justiça

A missa aconteceu no dia em que Jamile faria aniversário de 47 anos. Ao fim da cerimônia, os presentes gritaram por justiça e cantaram parabéns para a empresária. A irmã da vítima, Marta Mônica Chaves de Oliveira, comentou que não acredita que houve tentativa de suicídio. "A Jamile era uma mulher cheia de vida. A vida da Jamile era aquele filho dela. Ela jamais seria capaz de tirar a vida dela", diz.

Marta conta ainda que o envolvimento dela com Aldemir Pessoa era recente. "Foram uns três meses [desde que começaram a namorar]. No último dia dos namorados, ele ainda não estava com ela", disse referindo-se à data de 12 de junho.

Uma pessoa alegre




A suspeita de não ter sido um suicídio é compartilhada por amigas de Jamile. Rosane Raulino, educadora física da academia frequentada pela vítima, conta que ela era uma pessoa alegre, mas que mudou de comportamento ao começar o relacionamento com Aldemir. "Uma menina altamente feliz, de bem com a vida. Depois que conheceu esse monstro, mudou completamente o jeito de ser. Ficava esquisita, não era ela mais. Uma pessoa triste. Não deu tempo dela avisar para os amigos o que realmente estava acontecendo com ela".

Outra colega, a personal trainer Ana Lima, também comentou que o relacionamento amoroso não tinha muito tempo. "Jamile treinava na academia, todos os dias a gente se via. Eu nem conheço a pessoa com que ela estava se relacionando, porque foi tudo tão recente. Eu, pelo menos, só vim saber [do relacionamento] na festa de São João da academia, em que ela levou ele, então foi tudo muito recente", relata.

A investigação que envolve a morte da empresária cearense Jamile de Oliveira Correia teve reviravolta no dia 2 deste mês, data seguinte ao sepultamento da mulher que completaria 47 anos nesta quarta-feira (18). Indícios levantados fazem a Polícia Civil do Ceará considerar o advogado Aldemir Pessoa Júnior suspeito.

O advogado disse ao G1 que não houve assassinato e ele não tinha interesse no patrimônio da empresária, como relatou uma familiar de Jamile Oliveira.

No início da madrugada do dia 30, câmeras de segurança do prédio registram que ela sai carregada pelo namorado e o filho. A vítima estava com um hematoma no olho e uma mancha de sangue no peito.

Jamile foi deixada pelo namorado no Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza, e morreu às 7h do dia 31 de agosto. Apesar da gravidade do caso, o homem não contou aos familiares sobre o estado de saúde da empresária e também não acionou a polícia.

Versões diferentes sobre atendimento

Os dois médicos que atenderam Jamile quando ela chegou ao IJF na noite do tiro também depuseram nesta terça-feira (17) e apresentaram versões diferentes sobre o caso.

Janio Cordeiro Barroso, médico plantonista da emergência do hospital, disse à polícia que a vítima afirmou ter tentado se suicidar. Logo depois da chegada dela à unidade, os técnicos de enfermagem afirmaram que ela não falava nada. Contudo, ela teria respondido o médico quando ele se aproximou. "O depoente botou a mão na cabeça dela e perguntou: 'O que houve?'; ela respondeu: 'Isso foi um tiro que eu mesma dei em mim'", consta no termo de depoimento de Janio Cordeiro, ao qual o G1 teve acesso.

O médico disse ainda não ter certeza se outro profissional do hospital ouviu Jamile dizer que tinha atirado em si própria.

Por sua vez, o cirurgião Jamil Zarur, também chamado a depor, afirmou que teve dúvidas quanto à versão da tentativa de suicídio alegada pelo namorado da vítima, o advogado Aldemir Pessoa Júnior. O médico percebeu que a posição do ferimento era de um disparo vindo de cima para baixo.

"Achei estranha a trajetória do projétil. Mas ela estava muito calma e geralmente quem tenta suicídio se comporta dessa forma, fica mais calada. Ela estava consciente, mas não falou nada", contou o profissional do IJF em entrevista à imprensa, na saída da delegacia em que prestou depoimento.

Fonte: G1 Ceará
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