Motoristas de aplicativo protestam por melhores condições de trabalho, em Fortaleza

Motoristas de aplicativo fazem manifestação em Fortaleza. — Foto: Arquivo pessoal

Segundo a organização, cerca de 400 condutores participaram do movimento, na tarde desta segunda-feira.

Motoristas usuários do aplicativo Uber deram início a uma manifestação na tarde desta segunda-feira (23), em Fortaleza. Segundo a organização do ato, cerca de 400 veículos pararam nos arredores da Arena Castelão. De lá, seguem para a Assembleia Legislativa do Ceará, no Bairro Dionísio Torres.

Dentre as reivindicações, os manifestantes pedem melhores condições de trabalho com o uso do aplicativo. "Queremos o reajuste do valor pago por quilômetro rodado. Os motoristas do Ceará são os mais mal pagos do Brasil", reclama o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Ceará (Amap), Rafael Keylon.

Além disso, pede-se ainda o andamento de projeto de indicação que tramita na Assembleia para a criação de incentivos fiscais para a categoria.

Trânsito complicado

Ao fim da tarde desta segunda-feira (23), motoristas relataram dificuldades para trafegar nos arredores do Aeroporto de Fortaleza por conta da manifestação, que teve início na Arena Castelão, impedindo o embarque e desembarque de passageiros. Pessoas desceram na avenida para não perder o voo.

A acadêmica de Fisioterapia e empresária Patrícia Moraes, que voltava à Fortaleza de Salvador, só conseguiu sair do terminal após 1h30 de espera. “Não chegava nenhum carro, nem particular nem táxi. Taxista só conseguia (pegar passageiros) quando arrancava com tudo, aí eles (manifestantes) abriam espaço”, relata.

Ela acrescenta que a Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC) havia chegado nos momentos finais para tentar organizar o trânsito e informar aos passageiros que eles não iriam conseguir chegar à entrada do aeroporto. “As pessoas estavam descendo na avenida e indo a pé para não perder o voo”, conta Patrícia.

Um motorista de aplicativo, que pediu para ter a identidade preservada, detalha que foi quase uma hora de paralisação, período em que foi impedida a entrada e saída de carros no terminal. “Participaram quase mil carros. Deixamos o local há pouco”, afirma.

Conforme a organização do ato, as principais reivindicações incluem o reajuste do valor pago por quilômetro rodado, bem como a tramitação de um projeto de indicação na Assembleia para a criação de incentivos fiscais para a categoria.

Apesar do transtorno, a assessoria de imprensa do aeroporto informou que não houve impacto na operação do terminal. O presidente do Sindicato dos Taxistas do Ceará (Sinditaxi), Vicente de Paula, disse não ter conhecimento do ocorrido. A AMC comunicou que, desde o fim da tarde, foram deslocadas uma viatura e duas motos para o local para evitar congestionamento e colisões.

Reivindicações

O presidente da Associação dos Motoristas de aplicativos do Estado do Ceará (Amap), Rafael Keylon Gomes da Silva, revela que as principais reivindicações são o reajuste das tarifas pagas por quilômetro rodado e a isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para motoristas com mais de um ano de cadastro.

“O IPVA tem o fim de restaurar a malha asfáltica de Fortaleza e nós já pagamos 2% de cada corrida para esse fim via regulamentação”, afirma. Ele ainda reclama do preço cobrado pela inspeção veicular realizada pela Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor). “Custa R$ 102, enquanto em Recife, por exemplo, é apenas R$ 42. Cada vez que são aprovadas as regulamentações e que nós comparamos com a nossa, percebemos que estamos em desvantagem”, conclui.

Por meio de nota, a Uber admitiu que "acompanha a movimentação e entende que, como autônomos, os motoristas parceiros têm o livre direito de se manifestar, dentro do que a lei permite". A empresa ainda pontua que continua "trabalhando com e para os motoristas parceiros", uma vez que eles "são fundamentais para o funcionamento da plataforma e para o seu sucesso".

Fonte: G1 Ceará
Compartilhar no G+