Pessoas em situação de rua ganham oportunidade de emprego temporário no Cine Ceará


Dez pessoas que vivem na Praça do Ferreira estão ajudando na limpeza e desmontagem da estrutura.

A Praça do Ferreira, no Bairro Centro, em Fortaleza, é abrigo para Edvanir Pereira, 46, que acompanha o nascer do sol e o chegar da noite dependendo da solidariedade dos transeuntes. O local, porém, também virou lugar de trabalho. Ela e outras nove pessoas em situação de rua estão prestando serviços na 29ª edição do Cine Ceará, que começou no último sábado (31) e segue até próxima sexta-feira (6).

O grupo de pessoas está ajudando na limpeza e desmontagem de parte da estrutura do Cinema na Praça, que tem exibição de filmes, longas e curtas ao ar livre. A programação tem como público-alvo a própria população que habita o local. São desenvolvidas ainda atividades de slackline, biblioteca da rua e batuque.

Neste ano, o festival tem parceria do Instituto Compartilha e do Coletivo ArRUAaça, que realizam intervenções culturais. Os dois projetos foram responsáveis pela seleção das 10 pessoas que estão trabalhando no evento, das 17h à 0h.

Para Edvanir Pereira, que foi parar na rua após ceder ao vício do crack, mas está há três meses sem usar a droga, a oportunidade profissional "acende uma luz no fim do túnel". Vestida com a blusa do Cine Ceará, pronta para iniciar a limpeza do ambiente, a mulher não conteve a lágrima nos olhos ao falar do que chama de "recomeço".

“É muito difícil ter oportunidade para morador de rua. Ocupa a nossa mente, porque quem vive aqui sofre muita violência, física e psicológica. E o pessoal do evento trata bem a gente, como se fosse normal. Eu falo isso porque às vezes me sinto rejeitada pela sociedade, mas aqui me sinto igual a todo mundo, é uma mão amiga de verdade", considera.

Entre os ganhos do emprego provisório aos moradores, o ativista social André Foca, que integra os dois coletivos Compartilha e ArRUAaça, destaca a capacidade de reinserção social. "“O evento respeita as pessoas que estão no território. A galera se sente reconhecida e abraçada com dignidade, de poder participar do evento trabalhando, gerando uma renda, mesmo que seja de forma temporária, e contribuindo para uma coisa que está acontecendo na praça onde vivem".

Fonte: G1
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