Cineasta é ameaçado por usar maquiagem do Coringa em retrato de padre Cícero

Cineasta usou aplicativo para "pintar" retrato de padre Cícero como Coringa e postou imagem em redes sociais — Foto: Reprodução

Ravi Carvalho pede que Polícia Civil identifique autores de ameaças mais graves.

O cineasta cearense Ravi Carvalho sofre ameaças pela internet desde a terça-feira (8), quando postou no Facebook a imagem de padre Cícero Romão Batista com a maquiagem do Coringa, personagem de histórias em quadrinhos e cinema. A "pintura" do vilão na foto do padre é digital, feita no aplicativo Instagram.

Padre Cícero é considerado santo popular no Nordeste, e as peregrinações em homenagem a ele reúnem milhares de fiéis em Juazeiro do Norte, onde vive Ravi Carvalho. O cineasta havia postado a imagem como uma homenagem ao Dia do Nordestino, celebrado em 8 de outubro.

“Uma coisa que quis falar foi a defesa das pessoas pobres, como o povo nordestino, aí quis unir estes dois ícones”, conta. "Mas as pessoas só tem ideia do Coringa como um cara mau, um vilão", completa. A foto foi publicada na conta pessoal de Ravi no Instagram, que era aberta ao público. “Depois coloquei no privado por conta das ameaças”, explica.

Direcionada para seus seguidores que assistiram ao filme, o cineasta acredita que seus amigos entenderam a homenagem. Porém, o retrato foi compartilhado por diversos sites e páginas da região, que classificaram a publicação como “ofensa” e “desrespeito”. “Não quis fazer isso. As pessoas não entenderam. Só começaram a xingar, dizendo que era falta de respeito”, conta.

Pedido de desculpas e ameaças




Sem esperar tamanha repercussão, o cineasta pediu desculpas para as pessoas que se sentiram ofendidas com sua publicação. Sem seguir nenhuma religião, mas se assumindo cristão, Ravi disse que em nenhum momento estava zombando de padre Cícero. “As pessoas de bem, que têm sua fé no padre Cícero e ficaram chateadas, foi para elas que pedi as desculpas”, esclarece.

O cineasta relata que vem sofrendo ameaças pelas redes sociais, principalmente pelo Facebook e WhatsApp, desde terça-feira. “Ouvi alguns áudios de grupos, entre eles, havia alguns que diziam que eu merecia ir para praça pública, deveria morrer, iriam me agredir, pintar minha cara, me linchar. Outro dizia que deveria tomar cuidado para não sair de casa, pois me conheciam, sabiam onde eu moro”, narra.

Ravi quer ajudar a Polícia Civil a identificar os autores das ameaças mais graves, que incluem ameaça de assassinato. Com o apoio de amigos, ele conseguiu recolher algumas provas. “Vou ver se posso fazer algo nesse sentido [identificar e punir]”, desabafa.

“Eu me arrependo de não ter colocado a foto no privado. Eu não imprimi e fiz uma intervenção artística pública. Me arrependo dessa repercussão. Eu queria que isso simplesmente acabasse, fazer as coisas que gosto, ter tranquilidade, era só isso que queria. Se isso continuar, depois dessas notícias e explicações, aí terei que ir à polícia para resguardar minha integridade física”, finaliza.



Fonte: G1 Ceará
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