Com mais de 30 anos de profissão, professor já deu aula para esposa, filhos e neto: 'Não tem coisa melhor'

Francisco Garrido foi homenageado em seu último dia dando aula em uma escola de Salto — Foto: Arquivo Pessoal

Francisco Carlos Garrido Lopes, de 66 anos, deu aula de ciências nas redes pública e particular de Salto (SP); ele foi homenageado em seu último dia de trabalho por alunos antes de se aposentar. Dia do Professor é comemorado nesta terça-feira (15).

Com mais de 30 anos de carreira, um professor de Salto (SP) ensinou e transformou a vida de muitos alunos. Mas, mais do que isso, Francisco Carlos Garrido Lopes, de 66 anos, teve a oportunidade de levar seus ensinamentos à esposa, aos filhos, às noras e ao neto dentro das salas de aula.

Francisco, ou Chico, como é carinhosamente chamado pela família e pelos alunos, começou a dar aulas em 1987, depois de trabalhar como frentista, enfermeiro e ainda em uma olaria e em uma plantação.

No início do mês de outubro, ele foi homenageado em seu último dia de trabalho antes da aposentadoria. Em um vídeo gravado pelos estudantes é possível ver o professor passando por um corredor onde os alunos estão segurando cartazes (veja abaixo).

Em comemoração ao Dia dos Professores, Francisco contou ao G1 sobre os mais de 30 anos que trabalhou como professor. Segundo ele, houve muito investimento para que a carreira desse certo.

"Estudava em Sorocaba, depois vim para Salto para trabalhar na indústria, onde fiquei por 16 anos. Nesse tempo, comecei a estudar, fiz quatro faculdades, de ciências, matemática, biologia e pedagogia, além de outros cursos. Percebi que estar na indústria não era mais o que eu queria", lembra.

Foi então que Chico resolveu prestar alguns concursos e, finalmente, se tornou professor. Ele até chegou a ser vice-diretor, mas disse que o que ama mesmo é estar dentro da sala de aula.

Em todos esses anos de carreira, o professor teve a chance de participar da formação da educação de pessoas importantes para ele. Francisco deu aula para a esposa, filhos, noras e para um dos netos.

Izildinha Hessel Lopes, de 63 anos, esposa de Francisco e também professora aposentada, confirmou a história. Ela contou que parou de estudar e, depois do casamento, ao ver o marido dando aula, resolveu que era hora de realizar seu sonho de ser professora e contou com a ajuda de Chico.

"Foi emocionante ele me dar aula. Foi a realização de um sonho, porque desde criança quis ser professora e com certeza ele me ajudou a realizar esse sonho", relembra emocionada. O casal, que está junto há 44 anos, tem três filhos, seis netos e uma bisneta. Francisco também fez parte da evolução escolar de alguns deles.




Francisco já deu aulas de matemática, física, educação moral e cívica, organização social e política, inglês, biologia e química nas redes pública, estadual e também particular.

Kelvin Gustavo Lopes, de 15 anos, é neto de Chico e está no primeiro ano do ensino médio. Orgulhoso, ele conta que é o único neto a ter a chance de ter aula com o avô.

"Ele é um ótimo professor. Tenho muito orgulho dele, porque sua missão como professor foi muito bem concluída. Ele fazia várias piadas e pegadinhas na sala de aula, escondia datas nas equações matemáticas, por exemplo, para que a gente respondesse e depois dava um ponto para ver se a gente estava bom mesmo em matemática", se diverte.




Aposentadoria Depois de tanto tempo em sala de aula, Francisco vai curtir a merecida aposentadoria ao lado da esposa. Em seu último dia de trabalho na Escola Estadual "Padre Francisco Rigolin", ele ganhou uma homenagem dos alunos.

Em um vídeo gravado pelos estudantes é possível ver o professor de ciências sendo homenageado. Aos gritos de "Chico", como é carinhosamente chamado, Francisco atravessa a escola.

Visivelmente emocionado, ele cumprimenta e abraça alunos e funcionários da escola

Uma das alunas que participou deste momento foi Andressa Tainá Silva Messias, de 15 anos. Ela contou que os alunos não viam Chico só como professor, mas também como um pai. "Ele vai fazer falta, está sendo difícil sem ele. A gente se sentia confortável com ele, com a matéria que ele ensinava. As piadas e até as broncas dele vão fazer falta para a gente", confessa.

Fonte: G1 Ceará
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