Crivella pede desculpas por declarações sobre juíza que fechou a Avenida Niemeyer


Prefeito do Rio disse que peritos responsáveis pela avaliação da reabertura da Niemeyer ao trânsito 'fizeram o laudo para agradar à juíza'.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, pediu desculpas à juíza Mirela Erbisti, da 3ª Vara de Fazenda Pública da Capital, pelas declarações feitas na semana passada. Segundo o prefeito, sua intenção não era ofender ninguém.

"O prefeito do Rio tem todo o respeito pela magistratura. Se, por acaso, em algum momento o espírito carioca — é, o espírito carioca — a gente fez algum gracejo, então quero aqui me redimir e dizer que a juíza me desculpe", disse Crivella que, imediatamente depois, voltou a fazer um novo apelo para que a magistrada reconsidere sua decisão e reabra a Niemeyer.

"Que a gente abra a (avenida) Niemeyer porque, afinal de contas, são 36 mil automóveis que estão entupindo e já fazem mais de 100 dias. Aquilo que dizíamos se cumpriu: não houve deslizamento. Aliás, nunca houve, nos 50 anos da Geo-Rio, um episódio de deslizamento em dia de sol com céu azul. E o que pedimos (foi) para abrir a Niemeyer em dia de sol com céu azul. Então faço esse apelo aqui pedindo desculpas, escusas se por acaso fui deselegante ou descortês".

A juíza decidiu interromper o trânsito na via em maio desse ano após um novo deslizamento de terra na pista, quase três meses depois da morte de duas pessoas.

Durante um evento na noite de quinta-feira (3), na Zona Oeste da cidade, Crivella disse que os peritos responsáveis pela avaliação da reabertura da Niemeyer ao trânsito "fizeram o laudo para agradar à juíza".

No mesmo evento, o prefeito também disse que a magistrada tem um site na internet que ensina mulheres a se vestir e como conseguir namorado.

"A juíza tem seus 40 anos, e ela é muito bonita. Tem uma beleza de parar o trânsito, mas não precisa praticar, né pessoal?", disse Crivella, ao falar sobre a via, fechada desde 28 de maio. "Interessante, porque é difícil encontrar mulher teimosa. Isso é raro, né gente? É raro. Normalmente elas concordam, né?", afirmou, aos risos.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro divulgou uma nota criticando a fala do prefeito, que classificou como "grave ataque à democracia" e disse que o interesse público "está acima de interesses pessoais, políticos e religiosos".

Fonte: G1
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