Namorado suspeito de matar empresária cearense diz à polícia que houve suicídio

O advogado Aldemir Pessoa Júnior é suspeito de matar a namorada, Jamile Correia. A polícia também trabalha com a hipótese de suicídio da empresária. — Foto: Arquivo pessoal

Jamile de Oliveira Correia morreu com um tiro no peito em um apartamento de luxo em Fortaleza.

O advogado Aldemir Pessoa Júnior, suspeito de matar com um tiro a namorada, Jamile de Oliveira Correia, prestou depoimento nesta quinta-feira (3) e negou ter disparado a pistola e matado a empresária cearense. Aldemir voltou a afirmar que Jamile cometeu suicídio.

"É difícil falar que alguém cometeu suicídio, principalmente porque é uma pessoa que eu amo, mas foi o que aconteceu. Eu não sou feminicida, é uma coisa que não houve indiciamento ainda e eu já sou tratado como feminicida, mas não houve esse assassinato", afirma. Ainda conforme Aldemir, o suicídio ocorreu por parte do "ciúme excessivo" da companheira.

Jamile foi baleada em 29 de agosto, em seu apartamento, um condomínio de luxo no Bairro Meireles, em Fortaleza. Ela foi levada ao hospital e morreu na manhã de 31 de agosto. O caso era tratado como suicídio até a Polícia Civil apontar indícios de que o namorado da vítima, Aldemir, teria cometido um feminicídio.

Aldemir Pessoa Júnior Pessoa comunicou à família de Jamile sobre a morte da empresária às 18h do dia seguinte ao que ela sofreu o tiro no peito. Ele comunicou aos familiares que ela havia cometido suicídio.




"Eu não tive sangue frio para fazer uma ligação e avisar isso. Naquela hora eu queria salvar a Jamile. Ela chegou no [hospital] IJF com vida. Duas enfermeiras falaram com ela e viram que não teve esse caso de feminicídio", argumenta o namorado de Jamile.

A família informou à Polícia Civil que Aldemir Pessoa tem interesse na herança de Jamile. Semanas antes de morrer, Jamile havia assinado uma procuração que dava direito a Aldemir de gerenciar a herança que ela havia recebido do marido, que falecera meses antes.

O suspeito admitiu que fez uso do cartão de crédito de Jamile, após ela morrer, para pagar o velório dela, como testemunhas informaram em depoimento à Polícia Civil.

"Eu fiz uso do dinheiro dela. É difícil admitir, mas eu estou numa situação financeira difícil e fiz isso pra pagar um enterro digno, porque ela teve uma cerimônia digna. Por até responder isso [uso de finanças de outra pessoa sem autorização], mas fiz por uma questão de dignidade da pessoa que eu amo", argumenta.

Limpeza do apartamento e elevador



Segundo depoimento de testemunhas ao qual o G1 teve acesso, Aldemir pediu que funcionários limpassem o apartamento e o elevador do condomínio, que ficaram com marcas de sangue após Jamile ser baleada e levada até um hospital.

O vídeo obtido pelo G1 mostra o momento em que o filho e Aldemir levam a mãe no elevador do prédio.

Conforme o filho havia relatado a polícia, Aldemir discutiu com a mãe, que se trancou dentro do closet do quarto. A porta foi arrombada e os dois brigaram pela posse de uma pistola antes de ela ser baleada.

Fonte: G1 Ceará
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