Neto e avô desistiram de ir a prédio meia hora antes de desabamento em Fortaleza

Neto e avô decidiram almoçar antes de ir a apartamento e escaparam de tragédia em Fortaleza — Foto: Arquivo pessoal

Rogério e o avô viajaram para Fortaleza na manhã de terça-feira, dia do desabamento, e decidiram almoçar antes de ir para casa. Seis pessoas morreram e quatro estão desaparecidas.

O barbeiro Rogério Oliveira e o avô Osmildio de Oliveira, 83 anos, desistiram de visitar o apartamento no Edifício Andrea, em Fortaleza, cerca de meia hora antes do desabamento do condomínio. O avô insistiu que eles fossem almoçar antes de irem para a residência, ainda que fosse cedo, por volta das 10h.

"Nós vamos para o apartamento ou vamos almoçar?", perguntou Osmildo, na manhã de terça-feira (15). "Vamos almoçar", respondeu o avô de Rogério. Por conta da resposta de seu Osmildio, os dois foram a um restaurante na Rua Paula Ney, apenas três quadras distante do incidente.

"O apartamento veio cair, justamente, às 10h30. No horário do desabamento, provavelmente, a gente estaria saindo para almoçar. Teria sido só o tempo de a gente ajeitar as coisas e meu avô ter descansado um pouco", lembra o neto.

Os dois moram em Icó, no interior do Ceará. Eles viajaram para Fortaleza realizar um exame médico e receberam de familiares a chave do apartamento 202 do edifício Andrea.

Até a última atualização desta reportagem, seis pessoas morreram e quatro seguiam desaparecidas, conforme o Corpo de Bombeiros. Sete pessoas foram resgatadas com vida.

'A ficha caiu'




Quando os dois pararam perceberam uma movimentação estranha. Rogério passou, então, a receber as primeiras ligações da esposa Rosilene Ferreira Silvano, que estava em Icó.

"Foram duas horas para eu me recuperar da notícia. Comecei pensando nos meus familiares, na minha filha, na minha esposa, nos meus amigos. O pessoal começou a mandar mensagem perguntando se eu estava bem", conta. Os dois retornaram a Icó ainda na terça-feira. O barbeiro, que já voltou ao trabalho, conta que sentiu-se aliviado após o ocorrido. “Fiquei triste e ao mesmo tempo alegre. A ficha caiu quando vi os vídeos e o tamanho da destruição”, relata.

No primeiro momento, Rogério não quis falar sobre o incidente ao avô, que tem problemas de saúde. O idoso só ficou sabendo da tragédia na rodoviária, quando esperava o ônibus de volta a Icó.

O que se sabe até agora



Fonte: G1 Ceará
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