Porteiro de prédio que desabou em Fortaleza deixa hospital

Porteiro de prédio que desabou em Fortaleza deixou hospital quatro dias após tragédia — Foto: Arquivo pessoal

Edifício de sete andares desabou na terça-feira e matou nove pessoas. Sete foram resgatadas com vida das quais três seguem hospitalizadas.

Francisco Rodrigues Alves, o porteiro de 59 anos que escapou com vida do desabamento do Edifício Andrea, teve alta médica neste sábado (20), mesmo dia em que os bombeiros resgataram a última pessoa sob os escombros e encerraram a busca por pessoas. Francisco é uma das pessoas que aparece correndo para se salvar em vídeo de câmera de segurança do momento do incidente.

"Estou bem, conseguindo andar. Sentindo um pouco de dor mas estou conseguindo", disse ao G1. Rodrigues foi liberado do Hospital Dra. Zilda Arns Neumann por volta das 15h deste sábado.

O ex-porteiro e zelador do Andrea passou por uma cirurgia no braço. Ele estava próximo a um dos portões do edifício no momento em que a estrutura ruiu e correu para longe dos escombros.




Ele era funcionário do prédio há 20 anos. Em depoimento um dia após a tragédia ele afirmou que "o prédio vinha caindo aos poucos". "O prédio já vinha nos avisando que ia cair. Eu tinha medo e muitas pessoas também. As colunas não resistiram o peso, né? Vinha caindo aos poucos, já tem muito tempo que era assim. Era como se fosse uma tragédia anunciada", relatou o zelador e porteiro.

Moradores hospitalizados

Com a alta de Francisco Alves, três pessoas feridas no desabamento seguem hospitalizadas.

Antônia Peixoto Coelho, 72 anos, segue internada em um hospital particular em estado grave;

Cleide Maria da Cruz Carvalho, 60 anos, está no Instituto Doutor José Frota (IJF) com ferimentos no corpo e apresenta quadro de saúde estável;

Gilson Gomes, 53 anos, quebrou as duas pernas enquanto trabalhava próximo ao local do desabamento e também recebe atendimento no IJF. Ele segue com quadro de saúde estável.

O que se sabe até agora

Edifício Andrea desabou às 10h28 do dia 15 de outubro

Nove pessoas morreram e sete foram resgatadas com vida

O prédio ficava no cruzamento na Rua Tibúrcio Cavalcante com Rua Tomás Acioli, a cerca de três quilômetros da Praia de Iracema, região turística da capital cearense

A prefeitura disse que a construção do prédio foi feita de maneira irregular e ele não existia oficialmente, mas o G1 localizou o registro do imóvel em um cartório da capital: a existência do edifício é conhecida desde 1982

Testemunhas contaram que o edifício estava em obras

Vídeo mostra que as colunas de sustentação estavam com situação precária

Ruas no entorno do edifício foram bloqueadas e sete imóveis próximos ao local do desabamento foram interditados

O engenheiro técnico apontado como responsável por reforma no edifício esclareceu à polícia que começaria as obras no prédio no último dia 15 de outubro, data em que a edificação desabou.

Falhas na estrutura

A síndica do edifício solicitou, um mês antes do desabamento, um orçamento para recuperação estrutural. No dia de 19 de setembro, a vistoria técnica da empresa detectou pelo menos 135 pontos com falhas estruturais na área do pilotis.

O orçamento pedido pela síndica foi entregue no último dia 30, mas a proposta foi recusada dois dias depois, porque uma concorrente ofereceu o serviço com menor custo.

Durante a visita técnica, eles diagnosticaram rachaduras nos pilares, concreto soltando da armação e ferros soltos. Na casa de bomba, onde é feito o transporte da água da cisterna para a caixa, Alberto Cunha revela que o ambiente concentrava a maior parte das falhas.



Fonte: G1 Ceará
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