Suspeito de matar empresária no Ceará diz que ela disparou tiro contra si após o filho 'segurar o braço dela'

O advogado Aldemir Pessoa Júnior é suspeito de matar a namorada, Jamile Correia. A polícia também trabalha com a hipótese de suicídio da empresária. — Foto: Arquivo pessoal

Intervenção do filho de Jamile de Oliveira para evitar disparo causou 'desequilíbrio' e ela disparou tiro contra si, segundo versão do suspeito de homicídio e namorado da empresária, Aldemir Pessoa Júnior.

O advogado Aldemir Pessoa Júnior, suspeito de matar a namorada, Jamile de Oliveira, afirmou em depoimento na Polícia Civil que a empresária cearense cometeu suicídio durante uma discussão do casal. Conforme a versão de Aldemir, Jamile apontava a arma contra o próprio peito quando discutia, e o filho dela 14 anos interveio.

Conforme depoimento de Aldemir, Jamile comentou com o filho que iria cometer suicídio na frente dele e do namorado.

"Quando ela disse essa frase, o [nome do filho] corre e agarra o braço direito da mãe dele. Ela está dessa forma e ela vira e fica do outro lado pra mim, de ladinho, frente para as roupas, e ela fica numa posição de 'isso [arma usada no disparo] é meu', e ele segurando no braço dela", contou o advogado em depoimento obtido pelo G1.

A delegada que ouve o depoimento, Socorro Portela, questiona o advogado se o filho puxa o braço da mãe, e Aldemir afirma que não. "Ele não puxa o braço dela, ele segura o braço da mãe. Não sei de onde tiraram isso". Em seguida, ele diz que a intervenção do filho causou um desequilíbrio em Jamile, e ela dispara o tiro contra si.

Em depoimentos anteriores, Aldemir havia afirmado que o filho de Jamile puxou o braço dela, contradizendo, a afirmação mais recente que ele próprio fez.

"A mão dela [Jamile] nunca saiu do peito. Eu disse que ele [filho] segurou no braço direito dela e girou ela, e foi questão de segundos nesse giro dela, quando eu vejo que ele desequilibrou a mãe eu vou [segurar] os cabelos dela e puxo o cabelo dela pra minha direção", afirma Aldemir.

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Jamile foi baleada no peito em 29 de agosto, no closet do apartamento onde morava, um condomínio de luxo em Fortaleza. Segundo depoimento de testemunhas ao qual o G1 teve acesso, Jamile e Aldemir discutiam na noite do tiro e ela se trancou no closet.

A porta do closet foi arrombada e os dois brigaram pela posse de uma pistola, quando o tiro foi disparado. Além do casal, o filho de Jamile era a única pessoa que estava no apartamento no dia. Ele afirma que não viu quem efetuou o disparo, mas nega que tenha segurado o braço da mãe, como afirma Aldemir.

No primeiro depoimento, o filho de Jamile havia dito que viu a mãe cometer suicídio. Em um segundo diálogo com policiais, ele negou ter visto a mãe disparar contra si e afirmou ter sido orientado por Aldemir a mentir para a Polícia Civil.

Conforme a denúncia de familiares de Jamile, Aldemir tem interesse na herança da empresária. Semanas antes de morrer, ela havia assinado uma procuração que autorizava ao namorado gerenciar a herança que ela havia recebido do marido, que morrera meses antes.

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Após o disparo, Jamile foi levada pelo namorado e o filho ao hospital Instituto Doutor José Frota, no Centro de Fortaleza. Imagens de câmera de segurança obtidas pelo G1 mostram momento em que os dois levam o corpo no elevador. Ela morreu na manhã de 30 de agosto em consequência do tiro.

Os custos do velório de Jamile foram pago por Aldemir, usando cartões de crédito dela. Ele admitiu ter feito uso das finanças da namorada, depois de ela ter morrido.

"Eu fiz uso do dinheiro dela. É difícil admitir, mas eu estou numa situação financeira difícil e fiz isso pra pagar um enterro digno, porque ela teve uma cerimônia digna. Por até responder isso [uso de finanças de outra pessoa sem autorização], mas fiz por uma questão de dignidade da pessoa que eu amo", argumenta.

Fonte: G1 Ceará
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