Agentes denunciados por facilitar fugas no Ceará passarão por investigação administrativa

Agentes cobravam valores para efetuar transferência de presos — Foto: Tuno Vieira/SVM

Ex-servidores são suspeitos também de cobrar valores de até R$ 15 mil para transferir presos.

Sete agentes penitenciários investigados na Operação Masmorras Abertas, realizada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) em abril de 2018, também serão alvo de um procedimento administrativo-disciplinar da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD).

Conforme denúncia do Ministério Público de agosto de 2018, os agentes se juntaram a presos para cometer crimes contra a Administração Pública, facilitar fugas e utilizar a funções para se proteger e ocultar os crimes.

A medida que determina a investigação administrativa contra os agentes foi autorizada em 29 de outubro e publicada no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (4).

São alvo do procedimento administrativo-disciplinar ex-servidores que atuavam como coordenador do sistema penal, diretor de presídio, agente penitenciário e coordenadores da Secretaria da Justiça e Cidadania.

Cobrança para transferir presos

Ainda conforme a denúncia recebida pela Justiça cearense em maio de 2019, alguns membros eram vinculados criminosamente num esquema de negociação de transferência de presos, cobrando valores de R$ 1 mil para transferências na mesma unidade, e entre R$ 5 mil e R$ 15 mil para transferências entre unidades prisionais.

Um arquivo obtido pelo G1 mostra os ex-servidores suspeito combinando valores para transferir os detentos (veja no vídeo acima).

Além disso, a partir de depoimentos de funcionários e detentos e da análise de áudios trocados entre os investigados, constatou-se que os agentes teriam facilitado fugas e a inserção de objetos ilícitos na unidades prisionais (incluindo celulares e drogas); se negado a apurar denúncias de torturas e maus-tratos quando contrárias ao interesse do grupo; e até concedido regalias e favores para se manterem na titularidade dos cargos.

Os agentes são investigados por, supostamente, praticarem crimes como associação criminosa, tortura, corrupção ativa e passiva e falsidade ideológica. Os resultados podem levar a sanções administrativas ou ao arquivamento do processo.




Fonte: G1 Ceará
Compartilhar no G+